O Brasil e o preço das coisas – parte 2: os hotéis

Por Patrícia

Sabe aqueles programas de TV sobre hotéis lindos pelo mundo? Eu adoro assistir. E esses dias caí de amores por um tal de Boscolo Budapest, um hotel-palácio 5 estrelas divino na capital da Hungria. Não sei se me impressionei mais com a fachada (uau!), o hall suntuoso (uaau) ou o lustre de cristal de murano azul que decora as suítes presidenciais (uau ao quadrado!). De qualquer forma, ficou muito claro que esse hotel não seria para o meu bolso.

Mas aí eu quis olhar melhor o site (e namorar de novo aquele lustre de murano) e o botão “book now” ficou me encarando até que eu clicasse nele. Fiquei curiosa com as tarifas e resolvi fazer uma simulação para janeiro de 2014, num sábado de alta temporada na Europa. Confere o resultado (com câmbio de janeiro/14):

– quarto deluxe com 30m2: EUR 102 (R$ 332)

– quarto superior com 50m2: EUR 136 (R$ 442)

– suíte executiva com 85m2 (!): EUR 468 (R$ 1.521)

Suíte executiva Fonte: Boscolo Budapest

Suíte executiva
Fonte: Boscolo Budapest

Ok, a suíte com o lustre de murano não é para o meu bolso, com seus 2.500 euros de tarifa (agora, pois eu tenho fé em mim). Mas qualquer um dos quartos pesquisados acima mais do que valeriam a pena! Enormes e lindamente decorados, um luxo!

Inevitavelmente surgiram as comparações com os hotéis brasileiros. E bate aquela tristeza em constatar com os hotéis são caros demais por aqui. Quanto será que custaria se hospedar no Brasil, num hotel de charme, agora nas férias? Recorri ao site do Relais & Chateaux e olha o que encontrei:

– Hotel Santa Teresa, no Rio de Janeiro: a partir de R$ 1.060

– Txai Resort, na Bahia: a partir de R$ 1.265

– Ponta dos Ganchos, em Florianópolis: a partir de R$ 1.410

– Hotel Saint Andrews, em Gramado: a partir de R$ 1.700 durante a semana e R$ 2.500 no final de semana (!!!) 😯

Na verdade a situação é um pouco mais crítica, pois a maioria dos hotéis trabalha com número mínimo de diárias nessa época. Ficou caro demais? Sugiro tentar na França, na Provence ou no Vale do Loire. Acha impossível? Então confere:

– Château de Noizay, no Vale do Loire: a partir de R$ 732

– Domaine de Chateauneuf, na Provence: a partir de R$ 940

Mas se o negócio for praia top+? Bora Bora, na Polinésia Francesa, é um dos primeiros destinos que vem à cabeça, povoando o imaginário de muitos. Impossível? Saiba que pelo preço do Saint Andrews, em Gramado, é possível se hospedar num bangalô sobre a água, com direito a chão de vidro e mordomo particular. Olha só:

– Saint Regis Bora Bora: a partir de 1.900

Saint Regis Bora Bora Fonte: Saint Regis Bora Bora

Bangalôs sobre o mar do Pacífico e mordomo particular
Fonte: Saint Regis Bora Bora

Sim, Gramado é compatível com Bora Bora em preços. Aí fica com você, o saudável ar da serra do sul do Brasil ou o mar estupidamente turquesa do Pacífico.

Mas os altos preços no Brasil não se notam apenas nos hotéis de charme. O sonho de uma cabana na Serra Gaúcha, em São Francisco de Paula, pode custar a partir de R$ 520. Uma pousada em Canela, precisando de reforma e sem nenhum atrativo adicional, R$ 375 pelo quarto mais simples. Até mesmo os hotéis mais comuns estão com preços inflacionados, maltratando o bolso de quem sequer está viajando a lazer.

E como se não bastasse os altos preços para quem quer turistar em terras brasileiras, o governo ainda pune quem quiser se aventurar em terras estrangeiras. Os sacrificados da vez foram o cartão de débito, os travellers checks e os saques em moeda estrangeira, cuja cobrança de IOF subiu de 0,38% para 6,38% (!). Tudo isso às vésperas das férias, em dezembro de 2013 – perdemos até o direito ao planejamento. Obrigada, (des)governo! 👿

Se empolgou e quer conferir mais hotéis de charme pelo mundo? Visite o site do Relais & Chateaux. Só deixe o Brasil de fora se não quiser gastar demais… Fica a dica!

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Sobre Pati Venturini

Engenheira, blogger, chocolatière na Méli-Mélo Chocolat e co-autora do blog de gastronomia e viagens De Garfos e De Quartos.
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8 respostas para O Brasil e o preço das coisas – parte 2: os hotéis

  1. Ilma Madureira disse:

    Concordo com tudo que voce escreveu. E acrescentando, os governos querem que o brasileiro faça turismo no Brasil, mas com esses preços e sem esforço algo dos “incompetentes” de melhorias em todos os níveis, eu a os mais inteligentes como nós, preferimos pegar nosso tao suado dindin e gasta-lo no exterior – apesar do governo tentar de tudo para que tal nao aconteça. Abraços de viajante

    • Bem colocado, Ilma! Onde estão os investimentos em melhorias? Praia é um bom exemplo: em sua maioria, lindas e ordinárias. Quanto aos hotéis, muito a melhorar. Abraço!

  2. Caramba! Eu já tinha ouvido falar nisso, mas nunca tinha visto uma comparação concreta como essa.
    Infelizmente essa é a nossa realidade: é mais barato ir ao exterior do que conhecer nosso próprio país. Resmungos à parte, belo texto e bom trabalho de “jornalismo investigativo”, hehehehe.

  3. É realmente muito triste. O Brasil tem tanto a oferecer mas continuando assim, com preços abusivos não apenas os brasileiros deixarão de conhecer esse pais maravilhosos como os estrangeiros deixarão de vir para cá!
    Parabéns pelo texto!

  4. Paula Brum disse:

    Pati, vivemos tempos difíceis, inclusive de entender. Praticamente não encaro mais hospedagem na Serra Gaúcha, acabo fazendo bate-e-volta, pois além de obrigarem ao minimo de duas diárias (que para mim significa chegar na sexta na hora de dormir e voltar no domingo, depois do almoço), os preços são incompreensíveis. No quesito hospedagem de charme chega a ser constrangedor, pois consideram cortinas e lareira um diferencial capaz de inflacionar absurdamente os preços. Mas o Nordeste não fica longe, nessa onda ecológica, acham que basta reaproveitar as águas das chuvas para ser considerado ecologicamente correto e entrar no quesito charme. E os absurdos se espalham pelo país. Me alegro quando vou fazer reservas para Europa, pois em algumas vezes pago o mesmo que estou acostumada a pagar em hotéis comuns pelo interior do Estado em deslocamentos a trabalho. Daí penso: se paguei xx nos cafundós, posso pagar em Paris. Haha!! Abraços, querida!

    • Oi Paula
      Excelente o teu comentário! Concordo 100%. Quanto à nossa Serra, há muito tempo Gramado e Canela não são mais para os gaúchos. Público final, São Paulo pra cima. Não temos ido com a frequencia que íamos antes, pois ter que encarar estrada sexta à noite por causa dessas duas diárias não faz a nossa cabeça – tudo isso sem falar dos preços absurdos, claro. O negócio é investir na passagem aérea e bora desbravar o mundo, hahaha! Muito obrigada pela visitinha, bjooo!
      Pati

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