Dois pit-stops na Normandia: Bayeux e Avranches

Para encerrar os posts sobre a Normandia, vamos falar de duas cidades que serviram de pit-stop nessa viagem. Elas talvez não sejam nem as mais bonitas nem as mais desejadas, mas são encantadoras na sua simplicidade e nos renderam algumas horas de tranquilidade e, como não poderia deixar de ser, de história.

Bayeux na ida – uma grata surpresa

Quando a proposta é sair dirigindo por um país desconhecido, ou sem um plano pré-estabelecido de roteiro, as surpresas podem ser boas ou ruins. Claro que uma pausa para o almoço seria necessária… Mas onde? Resolvemos parar na segunda cidade que avistamos assim que a fome bateu (a primeira era Caen, que nos pareceu grande demais). E foi assim que Bayeux entrou na nossa vida.

Uma das ruas do Centro de Bayeux na hora do almoço

Uma das ruas do Centro de Bayeux na hora do almoço

Bayeux foi a primeira cidade a ser libertada na Batalha da Normandia, após o Dia D, durante a Segunda Guerra Mundial. É uma cidade de cerca de 14 mil habitantes, cortada pelo Rio Aure e tem uma atmosfera deliciosa de cidade do interior da França.

O rio Aure, cartão postal da cidade

O rio Aure, cartão postal da cidade

Bayeux - rio Aure 2

Diga-se com isso: ruas bem cuidadas, um conjunto arquitetônico simples mas harmonioso, muitas flores para alegrar a paisagem. Tudo isso para nos fazer sonhar em largar tudo e escolher um lugar desses para viver.

Ruas muito tranquilas

Ruas muito tranquilas –  e muito limpas

Fachadas típicas de lojas

Fachadas típicas de lojas – coloridas e graciosas

Flores complementam a arquitetura

Flores complementam a arquitetura

A grande atração de Bayeux é a sua catedral, muitíssimo bem preservada. Sim, é uma Notre-Dame, considerada uma obra-prima da arquitetura romana e gótica normanda.

Notre-Dame de Bayeux

Notre-Dame de Bayeux

Ali existe uma mistura de estilos. Com construção iniciada no século XI, a base da catedral é romana, as adições entre o século XII e XIII são góticas e a partir daí, até o século XIX, as intervenções são de estilo clássico e neo-clássico. A catedral também conta com uma interessante cripta.

Vista interna da Catedral de Bayeux

Vista interna da catedral

Definitivamente vale a visita. Ficamos imaginando como a iluminação noturna deve ser interessante e ressaltar a riqueza de detalhes externos.

A cidade ainda é famosa pela sua tapeçaria, que relata a conquista da Inglaterra pelos normandos. Trata-se de um painel de 70 metros de pura história medieval contada em formato similar aos quadrinhos.

Para o almoço, aquela comidinha de bistrô. Num bistrô bem pertinho da catedral. O cuidado com arrumação da janela chamou a atenção… Não poderia ser mais francês!

Bistrô charmosinho com vista privilegiada

Bistrô charmosinho com vista privilegiada

A sobremesa foi o momento marcante: doces típicos normandos (aqui, leia-se galette – crepe? e pudim). 🙂

Bayeux - sobremesas

Para encerrar muito bem essa passagem rápida mas tão agradável por Bayeux. Essa encantadora cidade poderia servir muito bem de base para uma visita à Normandia, principalmente se o objetivo fosse uma visita com mais calma às praias do Dia D.

Avranches na volta – conexão histórica com o Mont-Saint-Michel

Como almoçar no Mont-Saint-Michel definitivamente não era uma opção, dessa vez nossa eleita foi a cidade de Avranches, não muito distante de lá.

Vista do centro de Avranches

Vista de Avranches, com Prefeitura em primeiro plano e um castelo medieval ao fundo

A cidade tem cerca de 9 mil habitantes e é mais uma sobrevivente dos tempos difíceis; foi quase que totalmente destruída durante a Segunda Guerra. Um monumento próximo à Prefeitura da cidade homenageia os mortos da Primeira Guerra.

Memorial da Primeira Guerra

Memorial da Primeira Guerra

Detalhe interessante: esse mesmo monumento guarda marcas das balas de canhão da Segunda Guerra na sua parte de trás, onde foi colocada uma placa. Testemunho duplo dos fatos.

Marcas da Segunda Guerra

O mesmo memorial, com marcas da Segunda Guerra

Encontramos a primeira igreja do dia e decidimos entrar. Trata-se da Basílica St. Gervais d’Avranches, do século XVII, em estilo neoclássico.

Basílica St. Gervais d'Avranches

Basílica St. Gervais d’Avranches

Descobrimos uma curiosa conexão com o Mont-Saint-Michel: ali está exposto como relíquia o crânio de Saint Aubert, o bispo que fundou o monte. Reza a lenda que o arcanjo Miguel apareceu para o bispo numa visão, ordenando a construção de um oratório no monte, mas não recebeu a devida atenção. Então fez uma segunda aparição, dessa vez tocando a cabeça do bispo com seu dedo e perfurando assim seu crânio.

Crânio perfurado de St.Aubert - relíquia de Avranches

Crânio perfurado de St. Aubert – relíquia de Avranches

Isso que mais parece um buraco de bala é na verdade uma prática cirúrgica chamada de trepanação. Na Idade Média ela era utilizada para curar epilepsia, doenças mentais ou ainda retirar maus espíritos e demônios. Bom, está explicado! 😉

Saindo dali exploramos as ruas tranquilas daquele entorno, charmosas, quase vazias. É deliciosa a sensação de conhecer um lugar diferente e livre dos apelos turísticos.

Mais uma lojinha de fachada charmosa

Mais uma lojinha de fachada charmosa

A arquitetura da Normandia é  sempre um deleite, com suas paredes de pedra, telhados inclinados, janelas ornadas com cortinas delicadas e flores. Irresistível dar uma espiada na casa dos outros, assim, mais de perto…

Avranches - arquitetura 1

Avranches - arquitetura 3

Por aqui notamos também algumas casas com arquitetura um pouco mais sofisticada.

Avranches - arquitetura 2

E chegamos a uma igreja maior que a primeira que visitamos; é a Notre-Dame-des-Champs. Foi construída no século XIX, em estilo gótico, para restaurar a vida religiosa da cidade após a destruição da catedral anterior durante um bombardeio na Segunda Guerra.

Notre-Dame des Champs

Notre-Dame-des-Champs

Perto dali está o Jardin des Plantes, o Jardim Botânico da cidade. O espaço é agradável e muito bem cuidado, daqueles que dão vontade de levar uma toalha, um livro e uma taça de vinho.

Jardin des Plantes, com catedral ao fundo

Jardin des Plantes, com catedral ao fundo

É dali que se tem uma linda vista do Mont-Saint-Michel, ao longe. Pela sua localização, Avranches é bastante procurada por quem quer visitar o monte mas não quer se hospedar por lá.

Mont-St-Michel visto de Avranches

Mont-St-Michel visto de Avranches

Ah, o almoço? Perfeito, o melhor que tivemos na região. Mas infelizmente o restaurante não existe mais!

Então essa foi nossa passada pela Normandia. Alguns lugares planejados, outros não. Fica a certeza de que, se há um lugar onde é delicioso sair do circuito turístico, esse lugar é o interior da França.

Isso não é tudo

Certamente ainda há lugares incríveis que queremos explorar pela Normandia, como Étretat, Deauville, Trouville, Honfleur. Também gostaríamos de alugar uma casinha por lá e viver como camponeses por uns dias, comendo os melhores lácteos do mundo e bebendo cidra, sem se preocupar com o relógio. Mas enquanto não fazemos tudo isso, e se você quiser se deliciar um pouco mais com a região, confira também nosso post sobre Giverny e os Jardins de Monet.

Maiores Informações:

Site da cidade de Bayeux

Site da cidade de Avranches

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Sobre Pati Venturini

Engenheira, blogger, chocolatière na Méli-Mélo Chocolat e co-autora do blog de gastronomia e viagens De Garfos e De Quartos.
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14 respostas para Dois pit-stops na Normandia: Bayeux e Avranches

  1. Oi, Patrícia. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie – Boia Paulista

  2. Bah, que cidadezinha simpática!
    Eu certamente ia ter vontade de ligar para o chefe ou equivalente e dizer “Ó, vou ficar por aqui mesmo.” e depois ligar pra família pra dar o endereço novo.
    Desculpe se estou sendo pendate, mas o doce não é tecnicamente um crêpe?
    Outra coisa: que bizarro aquele crânio!

    Parabéns por mais uma relato delicioso e pelas lindas fotos.

    • Oi Guilherme
      Obrigada, que bom que gostou! Mas fiquei curiosa pra saber se tu gostou mais de Bayeux ou de Avranches 🙂
      Quanto ao doce, a diferença entre crepes e galettes é a farinha utilizada, nas crepes é farinha de trigo branca e nas galettes farinha de trigo sarraceno. Os recheios podem ser doces ou salgados para ambas. Na Normandia a galette é mais comum, mas essa da foto parece meio pálida para galette mesmo! 😉
      Abraço,
      Pati

  3. Aline e Bruno disse:

    Olá! Tudo bem…?
    Meu marido e eu faremos nossa primeira Euro Trip em Maio/13, e adorei seu Blog, me identifiquei muito com suas preferências de passeios e turismo.
    E estamos na dúvida com a parte do roteiro dentro da Suiça, gostaria de tirar duvidas sobre meios de transporte, se foi de carro ou de trem, e quantidade de dias que se hospedou em cada cidadezinha da Suiça.
    Poderia entrar em contato conosco via email?
    Pensamos em nos hospedar numa cidade, por exemplo em Lauterbrunnen, e utilizar como Pit Stop, e a partir dela ir para Interlaken, Grindelwald, Montreaux, e passar 02 dias em Lucerna.

    Poderia nos auxiliar?
    Obrigada!
    Aline

    • Aline

      Obrigada pela visita, que bom que gostou do blog! E parabéns, primeira Eurotrip! Prepare-se pra não parar nunca mais… Isso vicia muito! Bom, vou te dar a resposta por aqui pois dúvidas ajudam a enriquecer o conteúdo do blog, ok? 🙂

      O melhor meio de transporte na Suíça, definitivamente, é o trem. Ele é eficiente, moderno, pontual e te leva para todos os lugares. Sem falar que alguns deles são panorâmicos (uma maravilha, mas nesses a reserva é recomendada).

      Nós estivemos em todas as cidades que você citou, exceto Lucerna. Começamos por Montreux (duas noites) e depois seguimos para os Alpes, que é uma região um pouco mais distante dali. Passamos primeiro por Grindelwald (duas noites) e dali voltamos para Interlaken, onde fizemos nossa base principal (quatro noites). Interlaken é perfeita para isso, pois ela é um pouco maior, com mais infraestrutura, muitas opções de esporte e atividades afins, lindíssima e perto dos lugares interessantes, permitindo ótimos bate-volta (Lauterbrunnen e Grindelwald ficam pertíssimo e Berna e Lucerna ficam um pouco mais longe).

      Se vocês pretendem conhecer Montreux, é melhor passar por lá na ida ou na volta. Quanto à melhor base nos Alpes, depende do perfil de vocês. Interlaken tem os atributos já citados. Vilarejos como Lauterbrunnen são mais pacatos e o forte das atividades acontece de dia, em contato com a natureza; são de tirar o fôlego.

      Na nossa opinião, a maioria dessas cidades podem ser conhecidas num dia, pois são pequenas e tranquilas, mas aí entra a questão do tempo, do orçamento, do estilo de viajar, das atividades pretendidas. Para fazer tudo com mais calma, quem sabe dois dias? Pensem nisso, e se as dúvidas persistirem, estamos aqui! 😉

      Abraço,

      Pati

  4. Nunca pensei em visitar a região, mas tenho lido a respeito e começo a ter coceiras (rsrs). Amei o post e as imagens são um sonho e imagens são sempre o inicio dos projetos de viagem, não?? Abraços,

    Paula do Mochilinha Gaúcha

    • Paula querida!

      Obrigada pela visitinha, feliz que curtiu o post! As imagens são tudo, não é mesmo? É por onde podemos viajar sem sair do lugar… Considere mesmo a Normandia, uma região pra lá de encantadora!

      Bj

      Pati

  5. SueliOVB disse:

    Apaixonado e inspirador relato!
    Amei, como sempre.
    Beijo

    • Querida Sueli

      Obrigada, que bom que curtiu o post! Nossa passagem pela Normandia foi curta mas marcante por toda sua história, adoramos. Como é bom poder relatar esses momentos!

      Bj

      Pati

  6. rita disse:

    Curti muito!Parabéns!
    Abraço!
    Rita

  7. Pingback: Descubra a Normandia | Nosso guia completo para você!

  8. Pingback: Turismo na Normandia - O melhor lugar pra ir na França | Papo de Turista

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