Gastronomia em Paraty

Por Patrícia

Não poderia me despedir dos posts de Paraty sem citar a excelente gastronomia que se encontra por lá.

Já falei do Restaurante Eh-Lahô, localizado numa pequena ilha rochosa, e do Restaurante do Dadico, no distante Saco do Mamanguá, boas opções durante um passeio de barco. Falei também do Restaurante Villa Verde, cercado pela mata, parada perfeita num roteiro pela serra e as cachoeiras.

Agora vou falar de alguns restaurantes do Centro Histórico, aqueles que valem a visita à noite, quando lampiões e velas se acendem e tudo fica mais charmoso.

Também quero fazer um agradecimento especial à querida Rafaela, do Aquarela de Panela, que não hesitou em repassar dicas bacanas de Paraty, em especial as gastronômicas, que são especialidade dela!

E às minhas queridas amigas de todas as horas Adriana e Cecile, excelentes parceiras de viagem. Perdão pela pimenta, meninas! 🙂

Banana da Terra, comida caiçara chic

A banana-da-terra é o ingrediente mais famoso da culinária caiçara, que tem influência indígena, africana e portuguesa. Ela é menos doce e bem maior que as outras variedades de banana. Aqui ela aparece gloriosa em pratos muitíssimo bem executados pela chef Ana Bueno.

O Banana da Terra é tido como o melhor restaurante de Paraty. A decoração é moderna e o toque rústico fica por conta das paredes de pedra.

As mesas perto das janelas coloniais com vista para a tranquila rua são as mais convidativas. As premiações na parede (como uma estrela no Guia 4 Rodas) e os Pratos da Associação de Restaurantes da Boa Lembrança sinalizam que este é um restaurante sem erro.

Uma estrela do Guia 4 Rodas e o Prato da Boa Lembrança

Paredes com história: placa do Guia 4 Rodas, Pratos da Boa Lembrança e outras coisas mais

Os garçons circulam elegantes em seus chapéus Panamá e promovem um atendimento simpático e muito atencioso. Podem até proferir uma pequena explanação sobre a banana-da-terra se você quiser.

Enquanto o jantar não vem, a dica é degustar um dos deliciosos sabores de caipirinha, como a de tangerina com folhas de manjericão. A cachaça é produzida em alambique próprio do restaurante.

Quantos aos pratos, a escolha é difícil, tamanha a criatividade de combinações. O Robalo Selado com Manteiga de Alho e Ervas em Banana Assada e Ninho de Alho Poró que pedi é o tipo de prato que marca uma viagem. Simplesmente perfeito. Assim com a montagem da comida sobre uma folha de bananeira, simples e chic.

Robalo com banana-da-terra

Peixe com banana-da-terra, prato típico da culinária caiçara

Prepare o bolso e não deixe de ir lá se você gosta de gastronomia e não abre mão de um sabor regional executado à perfeição.

Casa do Fogo, pratos flambados na cachaça local

Bistrô pequeno, acolhedor e imperdível. De cara já vemos que as cores quentes da decoração vão muitíssimo bem com a proposta da casa.

A ótima música ao vivo e a visão das labaredas que se levantam das panelas na cozinha envidraçada tornam a espera dos pratos deliciosa.

Normalmente sou bastante indecisa quanto a cardápios, mas este não me deixou dúvida. Nada parecia mais apetitoso que o Camarão do Chef, carro-chefe da casa: camarão gigante flambado com molho de coco e maracujá, acompanhado de legumes e arroz de açafrão. De comer em silêncio e feliz da vida.

Camarão do Chef

Camarão do Chef, flambado na cachaça: perfumado e delicioso

E é impossível ir embora sem experimentar essa sobremesa: banana-da-terra flambada com sorvete de creme.

Punto Divino, um restaurante italiano autêntico

As fachadas brancas discretas desta casa de esquina abrigam um restaurante autêntico, fundado por dois italianos.

O interior da casa esconde um pequeno jardim com iluminação à meia-luz. Música ao vivo completa o clima. Pedir ao menos uma taça de vinho é inevitável.

A casa oferece pratos típicos da Toscana e da Sicília. Com um menu em estilo “papiro” (extenso, bem como eu detesto), é fácil ficar horas folheando e se deliciando com a descrição dos pratos. O giro pela Itália é completo: pizza de forno a lenha, antipastos, saladas, carnes, risotos, acompanhamentos e claro, as massas.

Nada como uma boa massa para um jantar reconfortante depois de um dia no mar. As massas são feitas no local ou importadas, di sêmola di grano duro. Eu fui na segunda opção, mais atraída pela descrição do molho: Farfalle ao Molho de Gorgonzola e Nozes. Normalmente prefiro molhos ao sugo, mas essa descrição….

Razoável. O prato é gostoso sem ser espetacular. De repente me flagrei em devaneios imaginando como seria se os pedaços de nozes fossem maiores e acompanhados de pedacinhos de damasco (!). Olha eu aí, subvertendo a gastronomia italiana. Esses brasileiros.

Minhas amigas gostaram bastante dos seus pratos, e todas concordamos que é um lugar bem gostoso para ir à noite.

Le Castellet, charme francês em Paraty

Outra comidinha que cai muito bem em praia é crepe. Seria coisa de brasileiro? Em Paraty é coisa de francês. Numa das ruas mais tranquilas do Centro Histórico, perto do Porto, está escondida essa pequena pérola de bistrô, comandado pelo simpático chef francês Yves Lepide.

É crepe mas é slow food. Explico: o chef Yves prepara pessoalmente todos os pratos na hora, depois de bater um papo com os clientes, explicar o cardápio, os temperos, os azeites que são aromatizados por ele mesmo com ervas trazidas da Provence, sua terra natal. Yves é mais um estrangeiro que se encantou por Paraty e resolveu ficar por ali mesmo, trazendo na mala a herança francesa que dá o tom da decoração e dos pratos. Já foi sócio e chef do Le Poème, restaurante do marido francês da atriz Maria Fernanda Cândido, e agora abriu uma filial de sua creperia na Vila Madalena, em São Paulo.

Voltando à decoração: não tem como não se encantar com ela. O lugar bem poderia constar das páginas de um livro de design de interiores da Taschen. Não pela ostentação, muito pelo contrário; pela simplicidade, habilidade de misturar elementos e dosar iluminação, dando aquela sensação de aconchego. Ou seja, muito chic.

Fachada do Le Castellet

Fachada do Le Castellet, com cardápio escrito à mão

Pergunto sobre a decoração e Yves, muito simpático, me conta que ele mesmo decorou o lugar; a escada de ferro, presença marcante no ambiente, foi encontrada abandonada e restaurada por ele também. Admirável.

Decor com inspiração francesa no Le Castellet

Decor com inspiração francesa: para “saborear” nos mínimos detalhes

Confortavelmente instalada numa mesa bem na frente, num sofá de madeira com futons junto à porta-janela, me divirto folheando livros de decoração enquanto degusto uma generosa taça de vinho branco.

Um bom tempo depois chega meu Crepe Saint Tropez, de camarão flambado no conhaque ao molho de vinho branco, acompanhado de um delicioso tomate provençal. Diferente, o crepe de massa fina e bordas crocantes vem aberto, para que possa ser complementado com os já citados azeites. O chef ajuda na harmonização.

Crepe aberto e azeites especiais para harmonizar

Crepe aberto e azeites especiais para harmonizar

De sobremesa, crème brûlée, bien sûr. A casquinha é de açúcar mascavo, mas eu ainda prefiro os tradicionais, feitos com açúcar refinado; quebra com muito mais sonoridade, o que acho que faz parte da mágica dessa adorável sobremesa.

A comida é gostosa, mas eu gostei mesmo foi da experiência toda: esse bistrô tem alma. No dia seguinte ainda esbarrei com o chef no Mercado do Peixe, buscando ingredientes frescos.

Must-go em Paraty.

Café Pingado, para comer levinho

E para aqueles dias em que tudo que se quer é um jantarzinho leve, nada melhor que provar as delícias de um café.

Essa casa de esquina é o lugar perfeito para sentar na janela, pedir um cafezinho e ler um livro ou ficar vendo a vida passar. Eu pedi a especialidade da casa, o Café Pingado: café expresso, cachaça artesanal, chantilly e geléia de gengibre. Gosto de qualquer coisa que leve gengibre, então adorei esse café.

Entre as opções de comidinhas, a banal torta de frango aqui tem status de delícia absoluta. Talvez seja uma das melhores que já comi. Para acompanhar, um suco de laranja natural que vem na jarra de vidro, com direito a muitos e muitos gominhos.

E mesmo que o atendimento não seja assim tão rápido… Quem está com pressa mesmo?

Maiores Informações:

Banana da Terra

Casa do Fogo

Punto Divino

Le Castellet

Café Pingado

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Sobre Pati Venturini

Engenheira, blogger, chocolatière na Méli-Mélo Chocolat e co-autora do blog de gastronomia e viagens De Garfos e De Quartos.
Esse post foi publicado em Brasil, Paraty e marcado , , . Guardar link permanente.

9 respostas para Gastronomia em Paraty

  1. Rafaela Enes disse:

    Adorei os detalhes dos restaurantes e fiquei lisonjeada em ser mencionada no post. Valeu Pati. Paraty é tudo de bom. De Garfos e de Quartos: parabéns!

    • Oi Rafa
      Eu que fiquei encantada com a tua simpatia em prontamente repassar as dicas, todas maravilhosas. Lembrei de ti especialmente quando estive no Eh-Lahô e no Banana da Terra. O Le Castellet foi descoberto por lá e te recomendo na próxima ida à Paraty!
      O De Garfos e de Quartos agradece e deseja vida longa ao Aquarela de Panela! 😉
      Abraço,
      Pati

  2. Ilma Madureira disse:

    Gosto muito do Café Pingado. Sempre que estou em Paraty, dou “uma passadinha” para umas comidinhas leves.

  3. Oi Ilma!
    O Café Pingado é realmente muito aconchegante. Eu sou fã de cafés e achei que há poucos nesse estilo em Paraty…
    Agora, que privilégio o teu poder ir seguidamente para lá! Acho que se eu morasse mais perto, com certeza seria “habituée” da cidade, rsrsrs!
    Abraço,
    Pati

  4. Boia Paulista disse:

    Oi, Pati. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Beijos e até mais,
    Natalie – Boia Paulista

  5. Natalie, bom te ver novamente por aqui! Muito obrigada! 🙂
    Bj
    Pati

  6. Rachel disse:

    To doida pra ir pra Paraty, adorei as dicas e já salvei aqui! Excelente post! =)

  7. Oi Rachel!
    Adorei a visitinha! Que bom que gostou do post. Vá para Paraty e não se arrependerá 🙂
    Bj
    Pati

  8. Pingback: Festival da Cachaça de Paraty - Um Homem Precisa ViajarUm Homem Precisa Viajar

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