Paraty – cachoeiras, alambiques e as praias de Trindade

Por Patrícia

O Centro Histórico e os passeios de barco na Baía de Paraty são os pontos altos de uma viagem a essa encantadora cidade carioca. Mas, com um pouco mais de tempo por lá, há pelo menos mais dois passeios interessantes para incluir na programação.

Serra da Bocaina – entre cachoeiras e alambiques

Amantes da natureza vão adorar se embrenhar no verde úmido da Serra da Bocaina para conhecer o chamado “Circuito das Águas”, na estrada Paraty-Cunha, a cerca de 10km de Paraty. Em duas ocasiões esse passeio pode ser a melhor coisa a se fazer: se estiver chuviscando (e praia definitivamente não for uma opção) ou ainda se estiver muito quente (perfeito para as águas gélidas das cachoeiras). Há agências de turismo na cidade que promovem tours em jeeps 4×4, incluindo visitação de três cachoeiras e dois alambiques de cachaça. Praticidade e um toque de aventura.

As trilhas que levam às cachoeiras são curtas, bem demarcadas e de baixa dificuldade.

Trilha para a Cachoeira da Pedra Branca - mergulho na mata

Trilha para a Cachoeira da Pedra Branca – mergulho na mata

Um momento de imersão na natureza, onde podemos observar a fauna e a flora que se apresentam ao longo do caminho.

Entre as cachoeiras mais populares estão a da Pedra Branca, do Inglês e do Tobogã. A mais bonita delas é, sem dúvida, a Cachoeira da Pedra Branca, que conta com várias quedas d’água.

Cachoeira da Pedra Branca - parte inferior

Cachoeira da Pedra Branca – nível inferior

Uma trilha ascendente leva à parte mais alta da cachoeira, onde há uma convidativa piscina para quem quiser se jogar nesse momento natureza.

Cachoeira da Pedra Branca - nível superior

Cachoeira da Pedra Branca – nível superior

Cachoeira da Pedra Branca - nível intermediário

Cachoeira da Pedra Branca – nível intermediário

É de se pensar duas, três, quatro vezes. A água é muito, muito gelada. Especialmente na meia estação.

Momento de reflexão: água gelada

Momento de reflexão: água gelada

O problema é que, aos poucos, grupos de diferentes agências começam a se acumular, tornando esse momento de contato com a natureza bem menos íntimo…

Todos em busca de natureza

Todos em busca de natureza

A trilha até o Poço do Inglês é ideal para mais alguns encontros com a fauna local. Saguis se movimentam rapidamente entre os galhos de árvores chamando a atenção de quem passa. Os guias oferecem frutas, despertando a gula dos bichinhos que tentam garantir o seu pedaço… Impossível não parar para observar a cena.

Saguis aceitam frutas dos guias e fazem a alegria das câmeras

Saguis fazem a alegria das câmeras

O nome “poço” faz jus ao lugar: trata-se de uma pequena piscina enclausurada entre paredões de pedra. Os dispostos a encarar uma aventura podem se balançar em cipós ao melhor estilo Tarzan antes de cair com tudo na água. Tudo isso diante de uma imensa platéia (que não aparece na foto).

Poço do Inglês

Poço do Inglês

A Cachoeira do Tobogã fica próxima ao Caminho do Ouro, mais exatamente o caminho velho, que ligava a cidade à Minas Gerais. Antes de acessar a trilha vemos uma igreja que foi construída no alto de um grande rochedo.

Igreja na entrada do Caminho do Ouro

Igreja Nossa Senhora da Penha, próxima à entrada do Caminho do Ouro

Essa cachoeira é bem peculiar, uma grande laje recoberta por uma lâmina de água que a torna extremamente escorregadia – exatamente como um tobogã. Não para os nativos, obviamente, que conseguem inexplicavelmente caminhar pedra acima e ainda descem surfando pela superfície, em manobras extremamente arriscadas (e proibidíssimas em avisos logo na entrada). A queda no poço gelado ao final da laje parece a melhor parte da aventura.

Cachoeira do Tobogã

Cachoeira do Tobogã – nativo caminha “pedra acima”

Os alambiques que normalmente fazem parte do roteiro são o Engenho da Pedra Branca e o Engenho d’Ouro. Incluídos aí um rápido tour explicativo sobre a fabricação artesanal de cachaça, pausa para degustação e as clássicas comprinhas.

Detalhe do Engenho da Pedra Branca

Detalhe do Engenho da Pedra Branca

Armazém do Engenho

Armazém do Engenho

Compotas da lojinha da Engenho d'Ouro

Compotas da lojinha da Engenho d’Ouro

Um dos pontos altos deste tour foi a pausa para almoço, que aconteceu num lugar delicioso, cercado de verde (como não poderia deixar de ser) e ao lado das águas calmas do Rio Perequê. O Restaurante Villa Verde é realmente um lugar incomum.

Restaurante Villa Verde

Restaurante Villa Verde

Com estrutura e piso de madeira, as paredes foram abolidas; a integração com a natureza é total. Charmosas luminárias pendentes completam a atmosfera.

O chef é italiano e a especialidade da casa são as massas, produzidas no local. Fã de massas recheadas, não tive dúvidas e pedi um ravioli de carne na manteiga de sálvia e caipirinha de pitanga para acompanhar. Aprovadíssimo.

Ravioli de carne na manteiga de sálvia

Ravioli de carne na manteiga de sálvia

Enquanto esperava o pedido, aproveitei para dar uma volta no lindo jardim da propriedade e também nas margens do rio. Com mais calor, um banho seria perfeito. Essa proposta de restaurante é irresistível.

Tour é tour. Todo o roteiro está escrito, os horários são determinados, a parte comercial é inevitável e você simplesmente se encaixa. Particularmente não sou fã desse tipo de passeio, mas é muito bom quando se dá a sorte de estar num grupo simpático e divertido e de conhecer um restaurante que valha a pena – foi o caso.

Vilarejo de Trindade – praias numa “vibe” hippie

A cerca de 30 km de Paraty, aos pés da Serra da Bocaina e dentro de área de proteção ambiental, está localizado o  vilarejo de Trindade. Conhecido por suas belas praias, esse é também o lar de uma comunidade hippie que há muitos anos escolheu o lugar retirado, na época de difícil acesso, para viver de forma simples e em contato com a natureza.

Vitrine de loja em Trindade

Vitrine de loja em Trindade

Hoje a estrada que leva ao vilarejo está asfaltada, mas é bastante sinuosa e um tanto arriscada. Mas é preciso admitir que o visual é lindo, com a mata cercando os dois lados da estrada. Para fazer o passeio pode-se alugar um carro, tomar um ônibus regular (que sai da rodoviária de Paraty e pára a alguns metros das praias) ou ainda contratar um tour em agência.

A Praia do Cepilho é a primeira que se avista da estrada. Com grandes formações rochosas, é mais procurada pelos surfistas por suas ondas. Mas é a partir do vilarejo que se tem acesso às praias mais procuradas pelos turistas.

Estrada de chão leva até a Praia dos Ranchos e Praia do Meio

Estrada de chão leva até a Praia dos Ranchos e Praia do Meio

A proximidade com a Serra da Bocaina dá uns ares de fazenda ao lugar, e logo logo o mar já dá as caras.

A Praia dos Ranchos, ou de fora, é a mais extensa de Trindade. A infraestrutura de quiosques é razoável, mas como a praia é de tombo, os banhos de mar não são exatamente relaxantes. Também a areia grossa e fofa torna as caminhadas à beira-mar um exercício um tanto sofrido.

Praia dos Ranchos

Praia dos Ranchos

Uma trilha curta e fácil a partir dali leva à Praia do Meio, que normalmente possui um mar mais tranquilo e melhor para banho.

Trilha para a Praia do Meio

Trilha para a Praia do Meio

Praia do Meio

Praia do Meio

É dali que saem os barcos que levam até a Piscina Natural do Cachadaço, um lugar conhecido como excelente ponto de mergulho livre. Quando estive ali as condições do mar, que estava bastante mexido, me fizeram desistir dos mergulhos e ficar pela praia mesmo.

Praia do Meio - ao fundo, piscina natural do Cachadaço

Praia do Meio – ao fundo, piscina natural do Cachadaço

Ao longe se avista a Praia do Cachadaço, semi-deserta e acessível por uma trilha não muito fácil, morro acima e morro abaixo. A praia é de onda e sem infra-estrutura.

Praia do Meio - ao fundo, Praia do Cachadaço

Praia do Meio – ao fundo, Praia do Cachadaço

A Praia do Meio também conta com vários quiosques, todos eles bastante simples, mas comi alguns pastéis simplesmente deliciosos.

Quiosques pé na areia

Quiosques pé na areia

Trindade é um passeio interessante pela beleza natural. Afinal, não é sempre que vemos praias dentro de uma reserva natural como a Serra da Bocaina, uma das maiores áreas de proteção da Mata Atlântica. Mas, pelo que li antes de ir para lá, achei que esse destino está super valorizado. Em síntese são praias como normalmente as conhecemos, porém com menos infraestrutura. As pousadas do vilarejo e os restaurantes em geral são simples, mas o que incomoda mesmo é a grande quantidade de cachorros soltos pela areia, um excesso de vendedores ambulantes (que aceitam até cartão de crédito) e a falta de banheiros em boas condições.

Cachorros de Trindade - fofos, mas longe da areia

Cachorros de Trindade – fofos, mas longe da areia

Não achei indispensável conhecer Trindade. Acho que numa ida a Paraty vale mais a pena passar o tempo por lá mesmo, se dividindo entre o Centro e os passeios de barco privativos a praias e ilhas com pouquíssima gente. Essa sim, uma proposta de charme e pra lá de interessante.

Maiores Informações:

Paraty Tours

Restaurante Villa Verde

Sobre Pati Venturini

Engenheira, blogger, chocolatière na Méli-Mélo Chocolat e co-autora do blog de gastronomia e viagens De Garfos e De Quartos.
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5 respostas para Paraty – cachoeiras, alambiques e as praias de Trindade

  1. Sueli OVB disse:

    Sempre fantástico e especial. Belíssimo post!
    Quem ganha somos nós.
    Bravíssimos!

  2. sofia disse:

    muito legal! obrigada pela informação, as fotos são muito lindas!

  3. Oi Sofia! Imagina, o prazer é todo meu. Que bom que gostou! 🙂
    Bj

  4. Pingback: Gastronomia em Paraty | De Garfos e de Quartos

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