Pousada Borghetto Sant’anna – um fim de semana no Vale dos Vinhedos

Após nossa passagem pelos Caminhos de Pedra, cruzamos a cidade de Bento Gonçalves até o Vale dos Vinhedos, famosa região produtora de vinhos do sul do país, onde um final de semana tranquilo nos aguardava. Nenhuma programação na agenda além de descanso e muito vinho.

Nosso destino, a Pousada Borghetto Sant’anna, uma pequena vila de casas de pedra com uma linda e ampla vista para os vinhedos.

Um lugar cheio de significados. Borghetto é um termo italiano para um pequeno aglomerado de casas, geralmente da mesma família.

À direita, Casa Materna; à esquerda, Casa das Ervilhas; ao fundo, Casa das Fronteiras

À direita, Casa Paterna; à esquerda, Casa das Ervilhas; ao fundo, Casa das Fronteiras

E esse não foge à regra: a casa principal, apelidada de Casa Paterna, era destinada ao pai e à mãe, os simpáticos proprietários Rubens e Vanja; a casa com decoração toscana, batizada de Casa das Ervilhas, era do filho; e a casa com decor provençal, batizada de Casa das Fronteiras, da filha.

Casa Materna

Casa Paterna

Casa das Ervilhas

Casa das Ervilhas

Casa das Fronteiras

Casa das Fronteiras

A Casa Paterna é um loft horizontal e é a unidade mais procurada da pousada. As outras duas casas são lofts verticais, com mezanino. Todas possuem terraços privativos. Além das casas há mais algumas suítes à disposição, mas o ponto forte são as casas mesmo; uma casa de pedra toda sua, entre os vinhedos, é quase um passaporte para a Itália.

Suítes no andar inferior da Casa Materna

Suítes no andar inferior (antiga adega) da Casa Paterna

O único espaço coletivo da pousada é a sala de café, um charmoso ambiente envidraçado voltado para os vinhedos, onde é servido um café da manhã básico.

Sala do café

Sala do café

Nada dos luxos dos grandes hotéis ou das pousadas mais sofisticadas. E nem precisa. A pousada já foi citada pelo Guia Quatro Rodas como “a melhor vista para os parrerais do Vale dos Vinhedos”, ganhou espaço no livro 69 Lugares para Amar, de Cris Berger, e recebeu a ilustre visita do jornalista, escritor e apaixonado por viagens Ignácio de Loyola Brandão. Ele se hospedou na Casa Paterna e posteriormente deu o seguinte depoimento a uma revista:

“Da varanda dessa casa de pedra a paisagem é tipicamente sulina, com vinhedos e plátanos, espelhos d’água e uma bruma que sobe dos riachos pela manhã. Mas, por momentos, pode ser a Toscana, a Provença, a Nova Inglaterra. Referenciais estrangeiros são desnecessários, supérfluos no caso, porque a região serrana é simplesmente deslumbrante em suas cores, principalmente no outono…”

A Casa das Ervilhas

Pela sua decoração toscana, foi a nossa eleita. Maravilhosa a sensação de abrir os janelões da sala e convidar a paisagem a adentrar o ambiente.

A casa tem construção simples, mas de efeito. Quatro paredes, pé direito duplo e mezanino em 70 metros quadrados de área. Embaixo, sala de estar, de jantar e uma pequena cozinha entre elas. As paredes são pintadas no tom terracota característico das casas italianas.

A sala de estar conta com TV de LCD, TV a cabo, som e lareira importada. Um charme o tecido listrado do sofá e os quadros coloridos.

Sala de estar

Sala de estar

A sala de jantar possui um lustre antigo sobre a mesa de madeira, futons listrados nas cadeiras e uma cristaleira com alguns objetos de viagens.

Sala de jantar

Sala de jantar

A cozinha é completamente integrada a esses ambientes e possui fogão, geladeira, louças e utensílios básicos.

Vista geral do andar inferior, com cozinha à direita

Vista geral do andar inferior

A madeira está presente em diversos elementos, como portas, janelas, escada, mezanino, lambris de forro, móveis.

O quarto está aconchegantemente escondido no mezanino.

Os vinhedos podem ser avistados por uma janela lateral e outra estrategicamente posicionada na altura dos pés da cama. Para acordar de bem com a vida.

Janela lateral do quarto

Janela lateral do quarto

Detalhe poético: Registros de Passagem da Casa das Ervilhas. Ali, relatos agradecidos e cheios de carinho de hóspedes antigos (e alguns habitués).

Cada uma das casas tem seu terraço privativo. Perfeito para um final de tarde lendo um livro, degustando uma taça de vinho, apreciando a beleza dos vinhedos…

Terraço visto da janela do quarto

Terraço visto da janela do quarto

Terraço com Casa das Ervilhas ao fundo

Quando a noite cai, o programa é acender a lareira e aproveitar a cozinha para preparar um chocolate quente ou um jantarzinho com vinho para dois. Nossa sugestão descomplicada e bem à italiana: massa e molho Barila. Prego!

Os arredores

Essa pousada é para quem busca sossego e belas paisagens. Não conte com infraestrutura de entretenimento. Quando bater aquela vontade de “sair de casa”, há duas opções: explorar o Vale dos Vinhedos de carro ou sair para uma caminhada.

Nós saímos para uma caminhada matinal morro acima da pousada, e nos deparamos com vistas ainda mais incríveis do Vale dos Vinhedos.

E encontramos esse parreiral especialmente encantador, bem lá no alto, entre algumas poucas casas residenciais.

Que agradável surpresa! O que faz a beleza desse cenário, seria a luz entrando pelas folhas avermelhadas, a relva bem verde sob o parreiral ou a solidão do lugar?

Não avistamos ninguém. Manhã de domingo tranquila, perfeita para observar e retratar detalhes singelos pelo caminho.

O stress da cidade é uma lembrança distante. Às vezes tudo que precisamos é do sono tranquilo da serra, paisagens lindas e uma bela caminhada numa manhã de domingo. Simples assim.

Um almoço despretensioso

A pousada não possui restaurante, mas as opções no Vale dos Vinhedos são várias. Como normalmente vamos à cantina da Casa Valduga, um sucesso na região, dessa vez resolvemos tentar algo diferente. Seguimos um pouco mais adiante, até a Casa de Madeira. Que, para nossa surpresa, também pertence à família Valduga (!).

O salão é completamente fechado e revestido de pedras, lembrando novamente os restaurantes de porão do interior da Toscana. Linda decoração e iluminação.

Da nossa mesa podemos espiar a cozinha, uma limpeza e organização dignas de laboratório.

Pedimos o prato da casa, o Imigrante 1876, e não nos arrependemos. Codorna cozida no vinho com ervas e cebola roxa, bem aromatizada. Servida em panela de ferro, deliciosa e perfeita para comer num dia frio.

Acompanha uma divina polenta com queijo e o molho da codorna, a tradicional salada de radicci com bacon e um tagliatele ao pesto perfeitamente dispensável. Para acompanhar o almoço, vinho da Valduga, e para encerrá-lo, o típico sagu com creme.

Se era assim que os imigrantes comiam, podemos dizer que passavam muito bem. Pela herança, grazie mille!

Maiores Informações:

Pousada Borghetto Sant’anna

Restaurante Casa de Madeira

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Sobre Pati Venturini

Engenheira, blogger, chocolatière na Méli-Mélo Chocolat e co-autora do blog de gastronomia e viagens De Garfos e De Quartos.
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9 respostas para Pousada Borghetto Sant’anna – um fim de semana no Vale dos Vinhedos

  1. Mario Rodrigues disse:

    André/Patricia,

    Lindo post! Vocês estão valorizando cada roteiro com esse olhar cuidadoso que lhes é peculiar.
    Parabéns e obrigado!

    Mario

    • Mario!
      Adoramos cada comentário seu! Muito obrigada pelo incentivo, e isso inclui o retweet, rsrsrs!
      Experimentem essa pousada, acho que vão gostar bastante.
      Abraço,
      Pati

  2. rita disse:

    Adorei esta postagem!Parabéns mais uma vez!

  3. Oi Pati!!!
    Amei o texto e as fotos!!!!!
    Fiquei ainda com mais vontade de conhecer essa pousada!!! Tentei reservar com 2 meses de antecedência para o Carnaval e não consegui… já estava lotada.
    Mais um motivo para voltar! E, com certeza, quero ir no outono. As fotos ficaram incríveis. Imagino ao vivo…
    Bjs, Anna

    • Oi Anna!!
      Que bom que você viu o post! E obrigada!!
      Pois é, a pousada é pequena, e com essa proposta… lota rapidinho! Ainda mais no carnaval, e agora que muita gente tem trocado a praia pela serra. Nós somos dessa turma há um bom tempo, rsrsrs!
      Olha, a reserva no outono foi bem tranquila, com mais ou menos um mês de antecedência… recomendo mesmo! Eu estou redescobrindo essa estação, é uma ótima época para viajar!!
      Bjs
      Pati

  4. Oi Pati!!
    Também adoro viajar fora de temporada! Os preços são melhores e o atendimento costuma ser mais personalizado!
    Quem sabe consigo ir de novo para Bento Gonçalves no próximo outono?!!
    Bjs, Anna

    • Anna
      Fora de temporada é tudo de bom! A gente sempre vai na contramão, se o pessoal vai para a praia, a gente sobe a serra e por aí vai… Sem medo de ser feliz! Agora, no quesito preço, essa pousada custa a mesma coisa o ano todo. Garante o teu lugar no próximo outono!
      Bj e obrigada pela visita!
      Pati

  5. Nety Irmes disse:

    Ameiiiiiiiiiiiiiiiiii!

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