Bento Gonçalves no Outono: os Caminhos de Pedra

Quando se fala em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, imediatamente lembramos de vinho, do Vale dos Vinhedos mais precisamente. Mas você já ouviu falar dos Caminhos de Pedra?

O Caminhos de Pedra é um projeto pioneiro de turismo rural e cultural que resgata a herança dos imigrantes italianos que chegaram à região em 1875. Trata-se de uma rota de cerca de 7 km que passa por antigas casas de pedra e madeira, com 15 pontos de visitação e 56 pontos de observação.

Os pontos de visitação são pequenos comércios, pequenos produtores, vinícolas, restaurantes e até mesmo um ateliê de escultura. Em alguns lugares é cobrada uma taxa simbólica para acesso. Os pontos de observação são de arquitetura e de paisagem.

O resgate cultural não se restringe apenas ao aspecto arquitetônico: ele se estende ao dialeto, às artes manuais, às expressões artísticas de dança e canto. É o legado italiano no Brasil. Tudo isso torna o Caminhos de Pedra um verdadeiro “museu vivo”, que foi declarado em 2009 Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul.

Visitando a rodovia Caminhos de Pedra

A forma ideal de conhecer a rota é de carro, com mapa na mão, fazendo paradas ao longo do caminho conforme mandar a vontade.

De Porto Alegre a Bento Gonçalves são 120 quilômetros, e do Centro de Bento Gonçalves aos Caminhos de Pedra são mais 13. O bairro Barracão é o ponto de partida dessa rodovia, exatamente como fizeram os imigrantes na época. Pega-se a estrada do Barracão e logo logo ela vira a rodovia Caminhos de Pedra.

Nós não fomos por esse caminho. Para quem vem de Porto Alegre, ir pela Rota do Sol em direção à Farroupilha significa não ter que cortar a cidade de Bento Gonçalves. Essa mudança de planos nos brindou com belas paisagens bucólicas de uma área completamente residencial entre os altos vinhedos. Ali a vida passa em outro ritmo.

De qualquer forma, chegamos ao Restaurante Nona Ludia, nosso primeiro ponto de parada. A casa que hoje abriga o restaurante típico italiano foi construída em 1880 e foi a primeira a ser restaurada pelo projeto, em 1994.

Restauro esse que removeu traços modernos, como o reboco das fachadas, e trouxe de volta a beleza original da pedra. É uma das casas mais bonitas do roteiro.

No pátio da casa a raíz de uma árvore da espécie umbu chama a atenção pela gruta natural formada aos seus pés. Admirável saber que serviu de abrigo provisório para os imigrantes que aportaram por ali.

E antes de ir embora, flagramos uma pequena “reunião” acontecendo em cima de um telhado, tornando o cenário ainda mais bucólico.

Seguindo em frente, fizemos uma rápida parada perto do Moinho Bertarello, onde encontramos esse cenário de outono pleno, com direito a riacho, folhas de plátano e árvores carregadas de caquis.

A seguir, passamos pela Casa da Ovelha. A simpática e bem preservada construção de madeira colorida com porão de pedra chama a atenção de longe. No porão é possível comprar e degustar produtos derivados de leite de ovelha. Outro ponto alto da atração é a demonstração de manejo de rebanho de ovelhas com cães pastores.

Um pouco mais à frente, um aglomerado de vários pontos de interesse: Casa das Massas e Artesanato, Casa Fracalossi (onde funciona um café) e Casa da Tecelagem.

A Casa da Tecelagem é de 1915. Originalmente, foi construída em Flores da Cunha, município próximo, sendo desmontada, transferida e reconstruída sobre um porão de pedras irregulares aqui no Caminhos de Pedra. Na parte superior da casa, são produzidos tecidos, mantas, tapetes. Na parte inferior, peças artesanais em pedras semi-preciosas.

Os tapetes e as flores em penca nas janelas em contraste com a madeira envelhecida são pura poesia. Uma das casas mais simpáticas da região.

Na Casa Vanni Espaço Gastronômico, a alguns passos dali, fizemos uma pausa para almoço.

A rusticidade da fachada esconde um interior decorado de forma aconchegante, e o jardim é um lugar que merece um passeio antes do almoço.

A casa, também de madeira com porão de pedra (onde funciona o restaurante), data de 1935. A harmonia do lugar só é quebrada pelas cadeiras fluor espalhadas pelo gramado (um detalhe mais moderninho que, na nossa opinião, não se inseriu muito bem na paisagem).

Informações gastronômicas no próximo post!

Retomando a estrada, o próximo ponto que conhecemos foi a Cantina Strapazzon. Ali se pode degustar e comprar produtos coloniais, mas o lugar é famoso mesmo por ter servido de locação para algumas cenas do filme “O Quatrilho”.

É um local repleto de parreiras, e elas estão a poucos passos de distância.

A casa de pedra irregular, em meio aos parrerais, foi construída em 1878. Neste lugar, a viagem ao passado é imediata.

Perto dali fica a Vinícola Salvati & Sirena.

Embora sua construção seja recente, o local onde está inserida vale a visita.

Localizada no alto de um morro, as vistas são lindas. Os vinhedos no outono ficam realmente esplendorosos.

Dica dos moradores: os dias mais coloridos de outono acontecem entre o final de abril e o início de maio.

Ali é possível, além de comprar, degustar vinhos e sucos. Especialmente se forem das uvas Peverella ou Barbera, quase extintas na Itália. Gostamos do vinho branco de uva Peverella, que é bastante diferente dos que conhecemos, com um sabor levemente picante. A vinícola também organiza jantares típicos italianos para grupos, com apresentações folclóricas em meio aos barris de vinho.

Quase indo embora, paramos para observar os inúmeros retratos antigos na parede, tão familiares para quem tem descendência italiana. O simpático e falante proprietário da vinícola nos contou que as roupas dos retratos eram pintadas posteriormente, visto que trajes formais não eram comuns para aquelas famílias simples, e nos fez observar outros detalhes como a mulher sempre posicionada na frente do homem, e suas expressões sérias e sofridas. Uma pequena aula.

Nossa última parada, quase no final da rota, foi a Casa da Erva Mate. O destaque da casa de madeira sem dúvida é a grande roda d’água em pleno funcionamento.

Complementam o cenário o riacho que corre em frente à propriedade e as roseiras vermelhas em flor.

Interessante para gaúchos e especialmente não gaúchos, a visita mostra desde a planta até o processo de produção artesanal da erva-mate, com grandes socadores de madeira movidos a roda d’água.

A visita termina com degustação de chimarrão na casa em frente, de propriedade da família.

A pequena loja no porão conta com produtos correlatos e, é claro, pacotes de erva-mate artesanal produzida no local. Nós, que somos gaúchos, nunca havíamos parado para pensar na produção da erva-mate. Interessante a visita.

Esses foram apenas alguns pontos que visitamos no Caminhos de Pedra. É um passeio para fazer sem pressa, curtindo a beleza do lugar e se encantando com o estilo de vida simples e simpático dos locais, que adoram uma boa “prosa”, como falamos no interior do Rio Grande do Sul. E sem querer esbarrar em clichês, e já esbarrando, qualquer semelhança com a Toscana não é mera coincidência.

Maiores Informações:

Caminhos de Pedra – Site Oficial

Sobre Pati Venturini

Engenheira, blogger, chocolatière na Méli-Mélo Chocolat e co-autora do blog de gastronomia e viagens De Garfos e De Quartos.
Esse post foi publicado em Bento Gonçalves, Brasil e marcado , , , , . Guardar link permanente.

26 respostas para Bento Gonçalves no Outono: os Caminhos de Pedra

  1. rita disse:

    Região maravilhosa, mostrada através desta lindas imagens!Parabéns pela riqueza de detalhes!

  2. Renato disse:

    A região é linda, o blog está show, mas, realmente, as fotos deste post estão um espetáculo à parte. Parabéns.

  3. Mario Rodrigues disse:

    André/Pati,

    Fazia horas que eu não acessava o blog e quando volto dou de cara com esse lindo post de uma regiãio tão próxima e tão querida. Fiz o Caminhos de Pedra em 2003(eu acho! nem me dei conta do quanto tempo ja passou…) e percebo que as opções e alternartivas se ampliaram mas o “olhar” de voces é muito estimulante! Parabens pela sensibilidade e obrigado pelos relatos!

    Mario

    • Mario

      Bem que sentimos a tua falta por aqui! Essa região é realmente linda e muito acessível para nós, um verdadeiro presente. Ficamos muito feliz que tenha curtido o post! No próximo vamos falar de gastronomia e no último sobre uma pousada incrível que conhecemos por lá. Vai valer a pena!

      Abraço,
      Pati

  4. Pingback: Casa Vanni: uma pausa gastronômica no Caminhos de Pedra | De Garfos e de Quartos

  5. Oi, Pati. Tudo bem?
    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie – Bóia Paulista

  6. Beatriz Valle disse:

    Simplesmente emocionante. E´uma volta a Itália. Fotos lindissimas e descrições com riquezas de detalhes. AMEI. Querem tanto as pessoas conhecer a Italia ? Pois devem ir conhecer os caminhos de Pedra, que falam de um passado tão lindo. Parabéns a Pati e André.

  7. Luciano disse:

    Fizemos o Caminho de Pedras no verão – parece outro lugar. Belas fotos.
    Esses dias encontrei o blog de vocês, Mandei o link por email para agora ver com mais calma. Muito bacana. Parabéns!

    • Oi Luciano,
      Bem vindo ao blog! E muito bacana saber essa do link, rsrsrs! Muito obrigada, que bom que gostou.
      Impressionante como uma simples mudança de estação muda a cara do lugar, não? Se tiver oportunidade, faça este passeio no outono. A paisagem é linda, claro, e a disposição para vinhos e comidas calóricas é outra, aquela que às vezes não temos no verão!
      Abraço,
      Patrícia

  8. Amiga, passo mal com suas fotos..são lindas demais! Dá vontade de largar tudo e sair viajando por este mundo!!! Muita poesia em seu olhar, para nossa alegria!!! Beijão

    • Pat querida
      Fico muito feliz em saber que está curtindo o nosso blog! Muito obrigada pelas visitinhas! Agora, nem todas as fotos são minhas, neste post as mais espetaculares são de marido, rsrsrs! Bj e apareça sempre.

      Sua xará instagrammer,
      Pati

  9. fatima disse:

    Oi ,
    Estou indo para Bento…
    Gostei de ter visitado o blog de vcs!
    bjinhos

  10. Oi Patrícia!!
    Que fotos bonitas!!!
    Como a paisagem muda bastante com as estações… Em fevereiro quando visitei os Caminhos de Pedra o visual era completamente diferente. E não sei dizer qual o mais bonito!
    Bjs, Anna Bárbara

    • Anna
      Quanta honra com a sua visitinha! Adorei!
      Pois é,as estações fazem mágica com determinados lugares… Eu certamente vou querer conferir o Caminhos de Pedra em outro momento. A propósito, muito bom o post de vocês sobre lá! Como todos os posts que vocês fazem, trabalho competentíssimo.
      Bj e apareça sempre
      Pati

  11. Pingback: Agroturismo digno de cinema | InterCity Hoteis

  12. Nádia Jururu disse:

    Blogue muito bonito, reportagem muito interessante. Pena que exija tanta coisa para se fazer um comentário. Quer nicks, pseudónimos, etc? Ok.

  13. Clécia e Zilda disse:

    De muiiito bom gosto,adorei

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