Restaurantes e Comidinhas Imperdíveis em NYC

Comer em NYC pode ser um dilema. As opções são tantas que pode ser difícil separar o joio do trigo. Restaurantes existem aos montes, mas aonde podemos encontrar um sabor que faça a diferença na viagem? Pesquisando. Afinal, quem valoriza a gastronomia não pode se jogar em qualquer mesa. Então perguntamos a conhecidos, aos nativos, fizemos uma checagem no Tripadvisor (!), trocamos uma idéia com nossos amigos que nos acompanhavam e chegamos a estes endereços que fizeram nossa cabeça e que podemos indicar com orgulho.

Agora, garfos a postos!

 SPICE MARKET, passaporte para o Oriente

Na nossa humilde opinião, nada se compara a este endereço do Meatpacking District em termos de ambiente. A fachada discreta esconde um tesouro.

Fachada discreta

Ao pisarmos da porta para dentro somos automaticamente transportados para o Oriente, neste espaço que foi planejado para ser uma espécie de palácio de Bombay.

Os espaços de circulação são amplos, com predomínio de muita madeira e algumas mesas estão localizadas sob estruturas que lembram pagodas, com belíssimos entalhes.

Os sofás de couro branco dão um ar contemporâneo. Os objetos de decoração foram importados do sul e sudeste asiático, de países como Índia, Burma e Malásia.

Chegamos cedo e acompanhamos a movimentação da equipe que tratava de jantar e de fazer os últimos ajustes antes do início da noite. Um ambiente alegre. Iluminação à meia-luz, com gigantescas luminárias de tecido, e som ambiente temático e de muito bom gosto complementam a atmosfera.

A comida é, bem, apimentada como o nome bem diz. O menu assinado pelo chef Jean-Georges Vongerichten tem inspiração na comida de rua do Vietnã e da Tailândia. Tudo delicioso e bem apresentado. Nossas escolhas foram:

Peekytoe Crab Dumplings, Sugar Snap Peas and Aromatic Spices, porções de caranguejos envoltos numa espécie de massa leve com ervilhas tortas.

Black Pepper Shrimp, Sun Dried Pineapple, camarões muito apimentados com abacaxi desidratado.

Salmon Tartare, Soy Ginger Dressing, Avocado and Radish, um incrível tartare de salmão com abacate ao molho de soja e gengibre, decorado com lâminas de rabanete em flor. O prato mais bonito que veio para a mesa.

Vietnamese Chicken Curry, irresistível e clássico frango ao molho curry, mais indiano impossível.

Ginger Fried Rice, arroz frito perfumado com gengibre e este incrível ovo no topo (o queridinho do ator Hugh Jackman, que é vizinho e amigo do chef).

Steamed Lobster, Butter Fried Garlic, Ginger and Dried Chili, lagosta preparada no vapor com molho de manteiga com alho, gengibre e pimenta chili. A apresentação é de encher os olhos, os aromas são incríveis e o sabor é bem “spice”, como manda a casa.

Espumante acompanha bem toda essa sequência de comida aromatizada, picante e saborosa, e traz leveza ao paladar. Sobremesa é essencial para fechar a noite, então mandamos vir para a mesa Coconut Cake with Guava Ice Cream and Salted Caramel, bolo de coco alto e fofo com sorvete e caramelo salgado, e Apple Pecan Tart, Cinnamon Ice Cream, torta de maçã com nozes e sorvete de canela. Bom, mas não se comparam aos pratos que as antecederam. Particularmente, achamos o bolo meio pesado como sobremesa, e talvez um sorbet de manga ou o famoso Ovaltine Kulfi a base de chocolate tivessem sido uma mellhor escolha.

O serviço é impecável: simpático, eficiente, timing perfeito. Devido ao ambiente, recomendamos o Spice Market para jantar, mas para curtir o lugar como ele merece, vá cedo. Conforme a noite avança, ele vai ficando mais badalado, no melhor estilo para ver e ser visto.

E mais observação, este restaurante consta da lista da jornalista e fotógrafa Cris Berger, autora do livro “69 Lugares para Comer e Beber”. E também é muito elogiado pelos competentes Ricardo Freire, do Viaje na Viagem, e Destemperados. Escolha sem erro!

MARKET TABLE, jantando com os nova-iorquinos

Esse é daqueles endereços para ficar no coração. Vizinhança discreta, lugar pequeno e intimista e grande presença de nova-iorquinos fazem do Market Table um restaurante fácil de simpatizar e que nos inspira a querer retornar.

Localizado numa esquina do West Village, suas paredes de tijolos, janelas enormes e velas sobre as mesas cativam logo de cara.

O mobiliário, todo preto, faz um contraste elegante com a arquitetura da casa. A adega é um dos elementos que mais chama a atenção no ambiente.

O bar é também é bastante simpático, com suas lousas rabiscadas a mão. Que ambiente aconchegante para uma noite fria entre amigos!

A comida é típica americana e sazonal, com influências da infância do chef Mike Price, que foi criado numa fazenda em Mariland. Nossas escolhas foram:

Seared Diver Sea Scallops (butternut squash, mushrooms, brussels, pear mostarda), vieiras com abóbora, cogumelos, couve-de-bruxelas e uma espécie de geléia/chutney de peras com mostarda. Bem criativo.

Grilled Local Sea Bream (melted leeks, shiitake, edamame, concord grape jus), um peixe grelhado com alho-poró refogado na manteiga, cogumelos shitake, grãos de soja verde e um molho de suco de uvas orgânicas premium. Bem leve e saudável.

Braised Shortribs (parsnip mousse, greens, horseradish crumbs), costelinha cozida lentamente acompanhada de musse de pastinaca (um tipo de raíz prima da batata e da cenoura), verduras e raspas de raíz-forte.

Long Island Duck Breast (spaghetti squash, celery root-apple slaw, salsa verde). O pato foi gentilmente substituído por porco, a pedidos, e veio acompanhado de espaguete de abóbora, saladinha de aipo, repolho e maçã e um toque de molho de salsa verde. Um espaguete exótico para nós, mas que agradou bastante.

Por último, sobremesas para adoçar a vida e ajudar a terminar a garrafa de Malbec. Sanduíche de sorvete e tortinha de maçã (com sorvete também, of course).

E o detalhe simpático para encerrar uma ótima e deliciosa noite.

A turma adorou a comida e o ambiente. E depois de tanto carinho, é para querer voltar, não é mesmo?

MINETTA TAVERN, carinha francesa com tempero americano

Esta steakhouse agitada e localizada numa simpática e animada área do Greenwich Village é de propriedade de um inglês que também possui outros restaurantes de peso sob seu comando, como o clássico e bem sucedido Baltazar, o Pastis e o Morandi.

Os chefs executivos Lee Hanson e Riad Nasr, que comandam a cozinha do Minetta, já foram sous-chefs do badalado restaurante Daniel, do francês Daniel Bouloud e considerado um dos melhores de NY e do mundo (25ª posição no ranking). Também já passaram pelo Les Halles, de Anthony Bourdain, e pelo Le Cirque, outro francês bem cotado da cidade. O chef de cuisine William Brasile já andou pelo Vale do Loire. Portanto, cozinha competente.

A decoração é linda e lembra as brasseries francesas, com piso xadrez em preto e branco, sofás de couro vermelho e lustres antigos. Uma mistura de quadros preenche as paredes. Na entrada há um bar de madeira e espelho que domina o ambiente. Como o prédio é antigo, da década de 30, e passou por uma grande restauração, o garçom não deixou fotografar o ambiente, então se você ficou curioso é melhor dar uma espiada no site do restaurante.

O menu inclui clássicos americanos. Seguem algumas escolhas testadas.

Delicata Squash, uma salada delícia de abóbora com folhas e queijo brie. Abóbora está na moda no inverno nova-iorquino, presente em grande parte dos pratos.

Mouclade (bouchot mussels, white wine, saffron, curry, crème fraiche), mules em creme de vinho branco, açafrão, curry e creme de leite fresco, acompanhadas de fatias de baguete temperada. Apresentação bacana.

Minetta Burger (with cheddar and caramelized onions), hambúrguer com chedar, cebolas caramelizadas e french fries divinas. E também Oxtail and Foie Gras Terrine, terrine de foie gras com rabo de boi (que, apesar da pegada francesa forte, não empolgou). Essas ficaram sem registro!

Como sobremesa, Chocolat Dacquoise e Warm Hazelnut Crépe.

         

O carro-chefe da casa é o Black Label Burger. Na opinião do especialista em NY Pedro Andrade, do Manhattan Connection, este é o melhor hambúrguer dos EUA, pois é feito com os cortes mais nobres do boi. O teste vai ficar para a próxima.

Lugarzinho perfeito para uma noite animada entre amigos, com boa comida na mesa!

THE MODERN, uma obra de arte gastronômica

A localização não poderia ser mais conveniente e mais charmosa, o MoMa – Museu de Arte Moderna. Nada pode ser mais cosmopolita do que combinar uma ida ao museu com uma excelente refeição.

A entrada é discreta e o grande salão tem decoração moderna, como o contexto pede. A clientela é bonita e elegante. Tudo sofisticado sem ser chato.

Como de costume e já esperado em NY, há um bar movimentado para degustar um Cosmopolitan antes de passar à mesa.

Nossa passagem no The Modern foi para almoço e num dia bastante movimentado, o que infelizmente resultou em algumas restrições de cardápio. Sendo assim, não conseguimos experimentar o menu em toda a sua glória, mas o pouco que pudemos provar atestou a competência dessa cozinha e nos fez querer retornar numa próxima ida à NY.

A cozinha franco-americana está sob o comando do chef Gabriel Kreuther, nascido na Alsácia. Nossas escolhas foram:

Tarte Flambée (Alsatian thin crust tart with crème fraiche, onion and applewood-smoked bacon). Uma descrição pomposa para algo que mais parece uma pizza, não? Parecia ser a melhor pedida do dia, pois estava saindo aos montes da cozinha, então não tivemos dúvida, e não nos arrependemos tampouco. Simplesmente deliciosa a massa fininha e crocante, o creme delicado a base de creme de leite e a combinação imbatível de cebola com bacon defumado, tudo finamente picado e fundido num sabor sem igual.

Warm Lamb and Goat Cheese Terrine (with toasted pistachios and watercress). Uma terrine de cordeiro e queijo de cabra, servida quentinha, com pistaches torrados e saladinha de agrião. Sempre nos sentimos tentados a pedir qualquer prato que contenha queijo de cabra, e essa foi uma combinação perfeita e absolutamente deliciosa.

Como sobremesa, um simples cheesecake. Not. Um cheesecake desconstruído, por favor, pois não precisamos ser assim, tão óbvios.

Pratos simples e muito bem executados que nos fizeram querer retornar para um jantar completo. Para nós, esse foi o melhor restaurante de Midtown.

Comidinhas Imperdíveis

Essas são para degustar entre um passeio e outro. Não podem faltar, porque a baixa gastronomia é vital para desvendar uma cidade pelo estômago!

BURGER JOINT, o nazista do hambúrguer

Depois do fracasso da nossa tentativa de ir ao Soup Nazi, restaurante de sopas imortalizado num dos melhores episódios da extinta série Seinfeld e que estava fechado devido às festas de fim de ano, felizmente (?) encontramos outro nazista para atormentar a nossa refeição.

Localizado dentro do Hotel Le Parker Meridien, chegar até lá é só para quem conhece, ou ao menos estranha a curiosa fila que se forma em torno das gigantescas cortinas vermelhas.

Não custa se informar, e informação é o que não falta para os freqüentadores do lugar: sim, aqui é o Burger Joint, o melhor hambúrguer de Nova Iorque. Alguns hóspedes em check-in vem nos perguntar o que acontece por ali e repetimos o mantra.

Olhamos para o final da fila. Há uma pequena porta junto ao hambúrguer de neon, e quem entra lá não sai. A expectativa aumenta.

Ao nos aproximamos da porta, um pequeno cartaz dá as instruções: chegue ao caixa sabendo o que quer, tenha troco à mão e ao fechar o pedido vá para a direita! Esse seria um bom momento para brasileiros mal-acostumados a mudanças de cardápio, indecisões e muitas dúvidas reavaliarem suas intenções de seguir com a empreitada.

Para facilitar nossa vida, decidimos ir de hambúrguer completo, fritas e refrigerante. Como é bom não ser chato pra comer.

O lugar é minúsculo e apinhado de gente. Na decoração, simples e totalmente informal, predomina a madeira e há muitos posters recobrindo as paredes.

A muito custo conseguimos uma pontinha de mesa para garantir um pouco de dignidade à refeição. Ali é preciso brigar pelo seu espaço (mas sem perder a ternura)!

O hambúrguer é uma delícia sim. Comemos tão rápido que nem nos lembramos do registro fotográfico. Mas fica a questão: o quão bom pode ser um hambúrguer? Não conhecemos essa fronteira então não nos aventuramos a emitir mais opiniões. É bom, e a experiência bem interessante. Valeu!

MAGNOLIA BAKERY, na onda de Sex and The City

Bastou a personagem Carrie de Sex And The City aparecer num dos episódios da série degustando cupcakes dessa doceria para que a iguaria ganhasse o mundo e se tornasse cult no território das guloseimas. Então vá lá: em Paris, comemos macarons; em Nova Iorque, cupcakes.

Estávamos curiosos para comer estes cupcakes. No Brasil eles não são, bem, o bicho. São normalmente mais bonitos de se ver do que de se comer. Inconformados e perseverantes em encontrar um cupcake digno de nota, decidimos tirar a prova.

Há várias filiais da Magnolia Bakery espalhadas por NY. A matriz, na Bleecker Street, é garantia de fila na porta (assim como a Ladurée em Paris). Então escolhemos a filial da Grand Central Station, onde fomos atendidos rapidamente.

De quebra, ainda pudemos observar as doceiras em plena ação. Gostoso isso, dá uns ares de coisa caseira.

A véspera do Ano-Novo nos inspirou a pedir o temático, além do imprescindível de chocolate. Também pedimos o não menos famoso banana-pudding, muito bem recomendado pela Didi Wagner no seu guia “Minha Nova York”.

Delícia para degustar na calma e na paz do quarto do hotel.

        

Veredito: delícia pura! Os bolinhos são macios e as coberturas leves, ainda que um pouco doces demais para o nosso paladar. Lamentamos informar, são mais gostosos que os brazucas. E o banana-pudding? Maravilha! O doce é um misto de wafers, creme de baunilha e pedaços de banana, para comer de colher, geladinho e nunca mais esquecer o sabor. Só assusta um pouco o tamanho da embalagem, mas tudo bem; comemos em dois rounds.

Jacques Torres, o Willy Wonka francês que conquistou a América

Ele veio da França e, empreendedor que é, conquistou NY com seu chocolate e roubou para si o título de Willy Wonka. Tornou-se milionário.

Mas não se enganem, ele é francês e o chocolate é gourmet. Lá dá para encontrar aqueles maravilhosos carrés de chocolate, os quadradinhos tão típicos de Paris.

Essa é só uma nota para lembrar que muitos chocolatiers de peso estão presentes na cidade, então quem é fã de chocolate não pode perder essa oportunidade!

E esse foi nosso tour gastronômico pela Big Apple, encerrando a série de posts sobre a cidade. Agradecemos a companhia dos queridíssimos amigos Cris e Michael, que toparam a aventura de conhecer um restaurante novo por dia e deram mais sabor à nossa viagem! Thanks, guys!

 Maiores Informações:

Reserve sua mesa em NY – Open Table

Spice Market

Market Table

Minetta Tavern

The Modern

Burger Joint

Magnolia Bakery

Jacques Torres

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Sobre Pati Venturini

Engenheira, blogger, chocolatière na Méli-Mélo Chocolat e co-autora do blog de gastronomia e viagens De Garfos e De Quartos.
Esse post foi publicado em Estados Unidos, Nova Iorque e marcado , , . Guardar link permanente.

6 respostas para Restaurantes e Comidinhas Imperdíveis em NYC

  1. Eymard disse:

    Pati, muito bom o seu post. Belas escolhas. O burguer é mesmo surpreendente!

    • Eymard
      Quem deveria estar escrevendo posts sobre NY é você, rsrsrs! Imagino quantas dicas bacanas você deve ter de lá… Já vi que Paris não é sua única paixão. Obrigada pelo comentário!
      Abraço,
      Patrícia

  2. Ilma Madureira disse:

    Excelentes dicas. Obrigada

  3. Lilian disse:

    Estive em NY no final do ano passado e também fui na Magnolia Bakery da Grand Central Station. Assim como vc, os cupcakes estavam muito doces para o meu paladar… Porém o lugar é lindo e comprar o avental de cupcakes já valeu a visita! Deixei tudo lá no meu blog de culinária: http://www.pitaconacozinha.com
    Bjs

    • Oi Lilian!
      A Magnolia Bakery é uma gracinha mesmo! Não vi o avental de cupcakes, deve ser muito fofo! Embora tenhamos achado meio doce os cupcakes, ainda assim meu marido gostou bastante… eu fui mais fã da massa, que achei muito macia. Obrigada pelo comentário! Vou lá espiar seu blog e dar um pitaco!
      Abraço
      Patrícia

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