Enfim, a Big Apple! New York City – Um Passeio por Midtown

Nossa viagem à Nova Iorque começou com a idéia de estar presente num dos maiores réveillons do planeta. Não exatamente no meio dele, mas ao menos sentindo toda a vibração da data num ambiente tão assim, cosmopolita. Abriríamos uma exceção à nossa regra de jamais viajar no feriado de fim de ano. Afinal, seria uma causa nobre.

NY é uma cidade vibrante e pede tempo. Conhecê-la e desvendá-la não é tarefa simples, ela é inesgotável. A grande quantidade de turistas nessa época também não ajuda muito, e o resultado é aquela sensação de que não se curtiu a cidade como se deveria ou que se deixou muita coisa por fazer. Mas de qualquer forma está quebrado o gelo, e pendências de viagem não são de todo ruins, nos dão motivação para retornar.

Então, dada a largada na série de posts!

Midtown, o coração da ilha de Manhattan

O que todo viajante quer conhecer em Nova Iorque está essencialmente na ilha de Manhattan. Midtown, o centro de Manhattan, faz divisa com o Central Park e não é longe dos badalados SoHo e Greenwich Village. Times Square está a dois passos, sem falar nos musicais da Broadway. Sem dúvida, essa região central de NY é uma ótima opção para ficar, ao menos  nas primeiras viagens à cidade.

As principais atrações de Midtown não estão muito distantes umas das outras; então, desde que o clima colabore, dá para fazer tudo a pé. E no nosso caso o clima colaborou mesmo, foi um dos invernos mais quentes dos últimos anos e a neve sequer deu as caras.

Localizar-se em Manhattan não é tão difícil pois o sistema de numeração das ruas ajuda bastante. São ao todo 12 longas avenidas a contar de leste para oeste (sendo a mais famosa delas a Quinta), e cerca de 200 outras a contar do sul para o norte.

Partindo da Grand Central Terminal, uma das principais estações de metrô localizada na 42 St, em direção ao Central Park, são 7 quadras até o Rockefeller Center e, a partir dali, mais quatro quadras até o MoMa. Já se for no sentido de Downtown, são oito quadras até o Empire State e a Macy’s. Os trajetos podem ser feitos pela Sexta ou pela famosa Quinta Avenida (nesse caso demorando um pouco mais, devido às inúmeras pausas para conferir as vitrines mais sensacionais do planeta).

Midtown – da 42 St até a 34 St

A Grand Central Terminal é um complexo que agrega lojas e restaurantes à estação de metrô. O mix de lojas é considerável, indo desde produtos gourmet como a chocolateria belga Neuhaus, a loja de azeites francesa Oliviers & Co e a Magnolia Bakery (a marca americana que imortalizou os cupcakes para o mundo), passando pelos aromáticos produtos da L’Occitane e a famosinha barbearia The Art of Shaving, até os objetos inovadores da Pylones e os aparatos tecnológicos da Apple Store. Nada mau.

Como não lembrar de Saturday Night Live?

Mas sem dúvida é a sua arquitetura em estilo Beaux-Arts a grande responsável pela merecida fama do lugar. É o que a torna um ponto de parada obrigatória em Nova Iorque.

Main Concourse

Main Concourse

Olhamos para cima e nos deparamos com um lindo teto cor azul turquesa, com constelações e símbolos do zodíaco pintados em dourado. É o céu do Mediterrâneo, de autoria do pintor francês Paul Helleu.

The Sky Ceiling

The Sky Ceiling

A entrada de luz natural pelas imensas janelas se alia à iluminação fornecida por grandes e imponentes lustres e luzes secundárias, conferindo uma atmosfera luxuosa ao lugar.

       

Para fotografar a Grand Central com calma e menos gente, o ideal é passar por lá de manhã bem cedo. E simplesmente parar por alguns momentos e contemplar o cenário, antes que a rotina acelerada da cidade recomece com tudo.

Saímos da Grand Central e continuamos na 42 St, seguindo em direção ao Bryant Park. Antes de chegar lá, nos deparamos com a New York Public Library.

Sendo uma das maiores bibliotecas dos EUA, seu prédio também em estilo Beaux-Arts não passa despercebido. É a maior estrutura de mármore do país e a fachada clássica de colunas e as esculturas de leões em meio ao cenário de prédios altíssimos faz um belo que contraste que convida a mais uma parada.

O passeio começa bem, a estação e a biblioteca são os dois melhores representantes do estilo Beaux-Arts nos EUA. E logo ali ao lado já está o Bryant Park.

Olhamos os arredores e avistamos o Chrisler Building ao longe, tentando se disfarçar atrás dos galhos secos invernais das árvores.

O Bryant Park não se compara ao Central Park, mas tem o seu charme. Mais frequentado pelos nova-iorquinos, que comparecem em peso nos meses mais quentes, conta com internet wi-fi gratuita.

De manhã cedo está bastante tranquilo e convida a um passeio com um bom café na mão (bem pertinho dali tem uma filial estratégica da Le Pain Quotidien).

As lojinhas da The Holidays Shops, a tradicional feirinha de fim de ano, ainda estão fechadas. Mas a pista de patinação, grande estrela do inverno americano, já está movimentada.

Quem contempla esse cenário tranquilo e seguro e não conhece a história do local, que já abrigou até a New York Fashion Week, jamais imaginaria que essa região foi ponto de consumo de crack na segunda metade da década de 80. Graças à eficiente e austera política de combate de Rudolph Giuliani, que reduziu as taxas de criminalidade em quase 80%, o local está totalmente recuperado. Nova Iorque é um exemplo a copiar.

Seguimos em direção à 34 St, até o Empire State Building.

Como não conhecer o mais famoso prédio de escritórios do mundo,  que possui as vistas mais fantásticas da cidade?

O prédio, em estilo Art-Déco, é o mais alto de Nova Iorque, com seus 102 andares. Admirá-lo lá de baixo pode causar uma leve dor de pescoço e render fotos incríveis.

O único porém de visitá-lo nessa época do ano é enfrentar o caos que se forma já na rua, com a primeira fila para acessar o prédio. Mesmo um City Pass (um passe comprado antecipadamente que corta filas e vale muito a pena) não melhora muito a vida do turista que não dispõe de todo o tempo do mundo; as filas se sucedem no interior do prédio e podem facilmente tomar umas duas horas do passeio. E também tem a segurança estilo aeroporto, que torna o programa bastante cansativo.

Hall de entrada

Hall de entrada

O elevador que leva até o observatório é rápido e a pressão nos ouvidos se faz sentir. Mas a vista lá de cima compensa a maratona da subida.

A selva de pedra de King Kong

A selva de pedra de King Kong

Os prédios gigantescos que brotam do chão, o sul da Ilha de Manhattan com seu distrito financeiro, o Central Park, a Estátua da Liberdade e a Brooklin Bridge, está tudo ali ao alcance dos olhos.

Mais uma vez, o elegante Chrisler Building

Mais uma vez, o elegante Chrisler Building (à esquerda)

E o fim de tarde, com o acender das luzes, torna tudo ainda mais fascinante.

Vista para Downtown

Vista para Downtown

Bem pertinho dali fica a Macy’s, auto-intitulada como “a maior loja de departamentos do mundo”.

Nesta época de final de ano, as vitrines de Natal são uma atração à parte, e as da Macy’s são das mais sofisticadas.

A quantidade de pessoas hipnotizadas, coladas na vitrine e admirando os bonecos de corda que se movimentam sem parar, é a maior prova disso.

Mas as vitrines das outras lojas dos arredores também não fazem feio, com seus bonecos esquiadores e delicadas maquetes. Natal mágico é por aqui mesmo.

        

A Macy’s é o melhor lugar de compras para uma primeira viagem à NY (ou muitas); as lojas de descontos podem tomar muito tempo em garimpo, e os outlets estão fora da cidade. Além do mais, no fim de ano começam as liquidações de inverno; imagine um andar inteiro com lindos casacos em promoção com até 60% de desconto (e estrangeiros ganham mais 10% com apresentação de passaporte). A Didi Wagner, no seu guia de viagens “A Minha Nova York”, declarou que acha cafona ir a essas liquidações da Macy’s. Sério Didi? O que você acha “cafona” nós chamamos de “barganha”!

Se o humor estiver mesmo para compras, também é interessante explorar os arredores da Macy’s; facilmente encontramos lojas abordáveis como H&M, Mango, Zara, Uniqlo, além de Aldo Shoes e Victoria Secret. E muitas outras mais!

Midtown – da 42 St até a 53 St

Agora voltamos à 42 St e dali seguimos na direção contrária, sentido Central Park, pela Sexta Avenida, que está decorada com enfeites gigantes de Natal.

   

Já a decoração da Quinta Avenida é imbatível, especialmente à noite, com suas vitrines chamativas e prédios embrulhados para presente, envoltos em cintos ou com cascatas de luz.

    

A primeira parada é o Rockefeller Center.

As esculturas Youth e Prometheus (segundo plano), de Paul Manship

As esculturas Youth e Prometheus (segundo plano), de Paul Manship

Esse complexo é um lugar a visitar especialmente pela grande e icônica árvore natural de Natal que é montada por ali todos os anos, junto à pista de patinação no gelo (quem quiser se aventurar sobre rodinhas pode até contratar uma aula). Não existe cenário mais natalino e mais nova-iorquino do que esse. Literalmente coisa de filme.

Evidentemente à noite o cenário ganha ainda mais destaque. Mas prepare-se para as multidões.

Mas o Rockefeller tem mais, muito mais: sede da NBC (onde é gravado o Saturday Night Live), lojinha da NBC com souvenirs das suas séries americanas favoritas, o Radio City Music Hall (onde acontece o Grammy), cerca de 100 lojas, 40 restaurantes e lojas de alimentação e o Top of the Rock, o concorrente “modesto” do Empire State no quesito vistas deslumbrantes da cidade. O observatório fica “apenas” no 60º andar e tem vistas incríveis do Central Park e, claro, do Empire State.

A segunda parada, na 53 St, é o Museu de Arte Moderna, o MoMa.

Após passar por uma reforma milionária concebida pelo arquiteto japonês Yoshio Taniguchi, o prédio do MoMa tornou-se uma obra de arte em si, com seus amplos espaços internos, visual clean e iluminação natural proveniente de imensas paredes de vidro. No entanto, o projeto de Taniguchi manteve o jardim de esculturas localizado na área central do prédio, uma agradável área ao ar livre com vista para os altos prédios de Manhattan.

The River - do escultor francês Aristide Maillol

The River – do escultor francês Aristide Maillol

Ainda bem. Ali a arte contemporânea da alemã Katharina Fritsch se mescla com o Art Nouveau do francês Hector Guimard (o arquiteto que criou todas as placas do metrô de Paris).

  

Seguimos dali para as galerias de arte contemporânea.

Que sempre nos coloca questões tão profundas…

   

… Até as mais polêmicas, como a obra de Sanja Ivekovic, intitulada Lady Rosa of Luxembourg.

Exposição Sweet Violence

Trata-se da réplica de um monumento de Luxemburgo em homenagem à Primeira Guerra Mundial, que guarda três diferenças em relação à obra original: é dedicado à filósofa marxista e ativista Rosa Luxemburgo; a vitória está grávida; as homenagens escritas em sua base foram substituídas por palavras em francês (La Résistance, La Justice, La Liberté, L’Indépendence), em alemão (Kitsch, Kultur, Kapital, Kunst) e em inglês (Whore, Bitch, Madonna, Virgin). Imaginem a polêmica.

Vitória se transforma em uma mulher comum

Dali vamos direto para as galerias de arte moderna e encontramos as obras de artistas tão conhecidos e queridos nossos.

Les Demoiselles d’Avignon – Pablo Picasso (fase pré-cubista)

The Olive Trees – Vincent Van Gogh

Young Man in a Gray Sweater – Diego Rivera

Também encontramos Paul Cézanne, Salvador Dalí, Fridha Kahlo, Henri Matisse, Claude Monet. Perfeito.

Complementam o acervo do MoMa as famosas latinhas de Campbell Soup de Andy Warhol, além de exposições de fotografias, arquitetura e design. O museu ainda revela ângulos arquitetônicos que não fazem parte do acervo, mas que os olhos acabam reconhecendo como arte.

A última obra-prima a ser citada é o The Modern, um dos restaurantes do museu. Mas falaremos dele mais adiante, no post dedicado aos restaurantes.

Times Square & Broadway

Se Midtown é o coração de Manhattan, Times Square é o coração de Midtown. E pulsa como tal.

Os clássicos táxis amarelos colorem a paisagem urbana

Os clássicos táxis amarelos colorem a paisagem urbana

Esquina do mundo, ali vemos pessoas de todas as nacionalidades. E todos paramos fascinados, por um bom momento, para olhar as luzes incessantes que nos deixam hipnotizados, inebriados, talvez até um pouco intimidados.

Mas não por muito tempo, pois há muitas lojas esperando para ser visitadas, entre elas a Toys’R’Us, a famosa loja de brinquedos que é um verdadeiro parque de diversões, e a M&Ms, onde podemos comprar o clássico confeito nas mais diversas cores imagináveis. Dois clássicos turísticos num dos pedaços mais turísticos do mundo.

Conhecer a Times Square à noite é um must-go.

Especialmente lotada devido aos feriados de fim de ano

Soma-se ao cenário a vibração da Broadway, avenida que cruza a Times Square, com seus musicais mundialmente famosos. Filas imensas, fãs aguardando a saída dos seus atores prediletos, ninguém quer perder um dos maiores espetáculos de Nova Iorque… Exceto nós, que fomos na contramão e decidimos ir a um espetáculo Off Broadway que parecia estar fazendo bastante sucesso. Anote este nome: Sleep No More. Review aqui no blog nos próximos dias.

E no meio disso tudo, se cair uma chuvinha fina, somos diretamente transportados aos cenários de Blade Runner e começamos a ouvir Vangelis. É o fator “uau”, o fator “mega”, de que tanta gente fala.

E por hoje é só, na Cidade Que Nunca Dorme.

Maiores Informações:

Grand Central Terminal

New York Public Library

Bryant Park

Empire State Building

Rockefeller Center

MoMa

Times Square

Broadway

Sobre Pati Venturini

Engenheira, blogger, chocolatière na Méli-Mélo Chocolat e co-autora do blog de gastronomia e viagens De Garfos e De Quartos.
Esse post foi publicado em Estados Unidos, Nova Iorque e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

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