Do caribe holandês para o americano – um giro por Aruba

Após um curto voo de 25 minutos num minúsculo ATR42, a partir de Curaçao, desembarcamos na ilha vizinha de Aruba.

Já no aeroporto providenciamos um carro para poder circular à vontade durante nossa estada. Na nossa volta de reconhecimento, passamos por praias tranquilas da ponta norte, como Arashi e Malmok, pelo farol Califórnia, de onde se tem vistas panorâmicas da ilha, e pela capital Oranjestad.

Califórnia Lighthouse

Aruba é bastante plana e prevalece aquele aspecto desértico fora das aglomerações urbanas. Sim, aqui também o tempo bom é garantido.

Descobrimos alguns vestígios de colonização holandesa, hoje quase apagada pela influência americana na ilha.

Oranjestad também tem alguns prédios de arquitetura holandesa concentrados nos arredores da rua mais turística da cidade, a Wilhelminastraat. Muitos dos prédios não são originais e são pintados geralmente em tons pastéis.

No centro há um complexo portuário que recebe os enormes navios de cruzeiro que passam constantemente por ali.

Shoppings a céu aberto, restaurantes próximos ao mar, lojas de grife, hotéis de luxo e cassinos são os grandes atrativos do lugar.

Os cassinos são um dos pontos fortes de Aruba. Mesmo para quem não é lá muito fã, vale a pena se vestir decentemente, separar alguns dólares para perder e ir ao luxuoso Crystal Casino Aruba. Ele está localizado no Renaissance Aruba Resort & Casino e é ricamente decorado com lustres de cristal austríaco. Fotos não são permitidas mas acredite, é de cair o queixo; abstraia daquelas pessoas cheias de olheiras que nem sabem onde fica a praia e entre no clima.

Praias

Somente a costa oeste de Aruba é servida por praias de areia branca – a costa leste é rochosa e com mar agitado. A parte norte e a sul da ilha são bem distintas. A parte norte (Palm Beach, Eagle Beach) é mais desenvolvida e voltada ao turismo, enquanto a parte sul (Baby Beach, Rodger’s Beach), mais distante, é mais residencial e com menos infraestrutura.

Os adoradores de Aruba que nos perdoem, mas as praias de Curaçao, na nossa opinião, são infinitamente mais bonitas! Não sei se foi o tom de azul que não estava tão turquesa assim, ou a presença dos hotelões à beira mar, ou a vista de uma refinaria de petróleo, mas acontece que em Aruba falta o elemento natureza (quase) selvagem que é forte na vizinha. Ao menos as praias são públicas, como no Brasil, e o azul Caribe ainda está lá.

Palm Beach

É a praia mais movimentada e destino da grande maioria dos turistas que vão à Aruba, pois ali estão localizados os cobiçados hotelões pé-na-areia que fazem a fama da ilha – é a região dos High Rise Hotels. Restaurantes, lojas e vida noturna completam o pacote, portanto esse é o lugar certo para quem busca mais movimento e muita mordomia.

Quem não está hospedado por ali precisa chegar cedo para garantir seu lugar ao sol (é possível alugar cadeiras e até meio parasol – acredite).

Olhando para a direita ainda conseguimos uma foto bucólica, pois é início de manhã e a praia ainda não está lotada.

O espaço para nadar é demarcado por bóias já que por ali circulam muitos barcos, jet-skis e banana-boats. Não poderiam faltar esportes náuticos numa praia como essa, poderiam? Justamente por isso não achei a água das melhores para banho; o fundo é um tanto lamacento e a água não é tão cristalina.

Particularmente, não foi a nossa preferida. Lembra as praias lotadas do Brasil das quais não somos grandes fãs. Achamos que o verdadeiro luxo numa ilha caribenha é encontrar o seu pedaço de areia branca e relaxar entre um mergulho e outro nessa água azul divina, e isso não inclui multidões!

Eagle Beach

Agora sim. Enfim, a paz.

Essa extensa praia possui uma larga faixa de areia e não sofre com o mesmo nível de urbanização de Palm Beach. O mar é um pouco mais nervoso por ali, mas a qualidade da água é muito melhor.

Eagle Beach fica na região dos Low Rise Hotels, ou seja, dos prédios mais baixos e que também são os mais antigos, afinal essa foi a primeira área a ser urbanizada na orla da ilha. A infraestrutura de lá é proveniente dos hotéis, então se você não está hospedado num deles, precisa providenciar um kit praia. Para agitar um pouco a noite, há um cassino e só.

Nem pensar naquela infraestrutura de restaurantes, esportes aquáticos e outros, mas… com tanto espaço assim, quem se importa?

Baby Beach

Localizada na parte sul da ilha, a uma meia-hora de viagem de carro, está Baby Beach.

Finalmente uma praia menos extensa, menos urbanizada, mais “aconchegante”. É uma verdadeira piscina, com águas rasas, calmas e mornas e um recife que garante um bom mergulho de snorkel.

Muito popular com a criançada, por motivos óbvios!

Rodger’s Beach

Vizinha de Baby Beach, é uma opção um pouco mais tranquila. Aqui as multidões passam longe.

Tão longe que nem a pouca infraestrutura por aqui se manteve. Quando fomos lá este barzinho simpático, bem na beira da praia, estava funcionando. Chamava-se Coco Beach mas parece que agora está à venda.

O cenário seria perfeito se não fosse a visão da refinaria de petróleo não muito longe dali.

E ainda fotografamos um estranho exemplar dos icônicos divi-divis, as árvores retorcidas pelo vento constante da ilha.

Com ou sem bar, vale a pena levar o necessário e passar algumas horas por ali.

Mergulho em naufrágios históricos

Mergulhamos em Aruba com a operadora S.E.Aruba Fly’n Dive. Diferente de Curaçao, aqui todos os mergulhos de cilindro são embarcados.

No primeiro dia visitamos dois dos inúmeros recifes da ilha e nos divertimos com a quantidade e a diversidade da vida marinha, mas o que impressionou mesmo foram os naufrágios do segundo dia, o Antilla e o Pedernales, localizados próximos à Malmok Beach.

O Antilla é o maior naufrágio do Caribe, com 120 metros de comprimento. Conhecido como navio-fantasma, era um cargueiro que fornecia suprimentos para um U-boat alemão e foi afundado durante a 2ª Guerra Mundial pelo seu próprio capitão, para que não caísse na mão dos holandeses. O navio está bastante intacto e a vista do imenso casco impressiona. Como ele repousa em águas não muito profundas (no máximo 18 metros de profundidade) e está bastante intacto, a visão do imenso casco em contraste com a água clara é impressionante e inesquecível. Pudemos até fazer uma rápida incursão pelos seus compartimentos. Pelo que se sabe hoje isso não é mais possível, pois uma tempestade forte deixou o navio instável. Tivemos sorte em ter essa experiência tão marcante!

Já o Pedernales era um navio-tanque norte-americano que foi afundado por um submarino alemão na mesma época. Apesar de ter se dividido em três partes, ainda proporciona um excelente mergulho, repleto de vida marinha.

Aruba ainda conta com diversos outros naufrágios de navios e até mesmo de aviões. É um destino especial para os amantes dessa fantástica modalidade do esporte, que junta aventura e mistério à beleza dos mergulhos.

O atendimento da operadora foi muito simpático; depois do fim dos trabalhos, o motorista da van quis nos pagar uma cerveja e ainda perguntou se nós toparíamos fazer uma comida brasileira para o pessoal. Uma figura!

Mesmo quem não tem muita intimidade com os cilindros pode se divertir bastante em Aruba. A grande quantidade de recifes, naufrágios rasos e a visibilidade da água facilitam e convidam a muitos mergulhos livres (de snorkel). Uma outra opção é mergulhar sem se molhar embarcando num submarino de verdade ou num semi-submarino (adrenalina não incluída!).

Hotéis, restaurantes e um spa divino

Nós tivemos duas ótimas experiências com hospedagem em Aruba (e segundo o Tripadvisor, esses dois lugares continuam mantendo boas posições no ranking).

Para os primeiros dias, em que nos dedicaríamos ao mergulho, nos hospedamos no Paradera Park.

Fica longe da praia, no meio da ilha, mas não é um problema se você está de carro. O lugar é muito agradável, com uma grande área de jardim e piscina e apartamentos com varandas voltadas para essa área. Os apartamentos são bem completos, com cozinha e sala, e o atendimento é muito simpático, feito pelos proprietários. Foram eles que providenciaram os mergulhos para nós. Kits de praia também estão à disposição dos hóspedes.

É um verdadeiro oásis tropical, exatamente como prometido no site (eu acrescentaria de tranquilidade, também).

Após dois dias de mergulhos inesquecíveis, nos transferimos para um hotel pé-na-areia em Eagle Beach, o Manchebo Beach Resort & Spa. Agora sim, somente para relaxar, sem absolutamente nenhuma atividade na agenda.

Esse hotel, como a maioria em Aruba, é padrão americano e com arquitetura antiquada, mas o nosso quarto havia passado por uma reforma recente. Moderno, muito confortável e ainda por cima com uma varanda que proporciona essa vista tropicalmente deliciosa.

O hotel conta com serviço de praia (com palapas exclusivos para hóspedes), piscina, bar, restaurantes, lojinha e o Spa del Sol, esse sim, seu grande diferencial.

Pudemos desfrutar de uma massagem a dois, numa dessas cabaninhas com vista para o mar, com direito a alguns mimos como roupões, chinelos, suco e preguiça pós-massagem na espreguiçadeira.

    

Aliás, o hotel é tão perfeito para casais que alguns deles optam por se casar ali mesmo.

A rotina por ali é basicamente reservar o seu palapa com o pessoal do hotel de manhã cedo, tomar o breakfast (legítimo americano, com panquecas, ovos mexidos e bacon) e depois dar alguns passos até a praia.

Um palapa para chamar de meu!

Quando a fome bater, o almoço pode ser por ali mesmo, no Pega Pega Beach Bar & Grill, o bar multi-uso do hotel. E após uma tarde sem fazer nada, é só voltar ali mesmo para um happy-hour regado a muitas piñas coladas e daiquiris.

Os ritmos caribenhos correm soltos no tambor de aço. Nada pode ser mais característico dessas bandas.

  

À noite o jantar pode ser no próprio hotel, no French Steakhouse, ou no hotel vizinho (Bucuti & Tara Beach Resorts), no Pirate’s Nest.

Essa é uma bela pedida para um jantar a dois. O lugar é uma réplica de um galeão holandês do século XVI e possui um pátio na areia, para jantar ao ar livre. A iluminação noturna deixa a atmosfera bastante romântica.

Fora os restaurantes de hotel, alguns dos lugares que fomos lá não existem mais. Lugares mudam, mas os sabores provados prevalecem!

Entrando na vibe americanizada da ilha, almoçamos um dia no Hooters em Palm Beach. Já não me importo mais de ir lá com o André, afinal as famosas “hooters girls” nunca são como as do site! Agora, voltando à comida, devo dizer que eles não fazem feio nos frutos do mar. O camarão agridoce com pão e patas de snow crab estavam deliciosos.

    

 Em Oranjestad fizemos um jantar à base de frutos-do-mar cuja estrela principal foram as patas de caranguejo gigante do Alasca. Precisei dar um drible na consciência por conta da radical indústria pesqueira do bicho, mas não poderia deixar de provar. E elas vieram assim, já abertas e prontas para a degustação. Maravilha.

No dia de ir embora era feriado e, para nossa surpresa, encontramos muitos restaurantes fechados em Oranjestad. Então só nos restou o The Paddock, um lugarzinho meio estranho mas que acabou entregando as coisas mais típicas que o Caribe pode ter.

Surf and turf, a famosa mistura de carne com peixe…

… E piña colada decorada! O único drink decorado da viagem!

Até que enfim, Aruba!

Maiores Informações:

Paradera Park

Manchebo Beach Resort & Spa

Pirate’s Nest

S.E.Aruba Fly’n Dive

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Sobre Pati Venturini

Engenheira, blogger, chocolatière na Méli-Mélo Chocolat e co-autora do blog de gastronomia e viagens De Garfos e De Quartos.
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6 respostas para Do caribe holandês para o americano – um giro por Aruba

  1. Sueli OVB disse:

    Eu gosto demais dos seus posts! Eles são cuidados, informativos, bem ilustrados, bem escritos e passam todo o seu entusiasmo e paixão pelo que faz e pelas viagens.
    Parabéns, querida!

  2. Mario Rodrigues disse:

    André/Patrícia,
    Mais um belíssimo relato!
    Desta vez, para dar saudades das aventuras
    submarinas. Desde 2009 não sei o que é sentir
    o peso de um cilindro.
    O cuidado e os detalhes descritos por vocês
    inspiram!
    Obrigado por mais esta experiência!

    Mario

    • Mario! Também andamos um pouco afastados dos cilindros, e sentindo falta. Vejamos se em breve preenchemos esta lacuna.
      Que bom te ver acompanhando o blog, obrigada!
      Bjs e abraços
      Patrícia e André

  3. Marina disse:

    Olá ! Qual o nome do restaurante das patas de caranguejo ?!
    Parabéns pelo site !
    Marina

    • andremazeron disse:

      Oi Marina, que bom que gostou do site. Só vimos teu comentário agora. Não recordo o nome do restaurante, mas lembro que ficava em uma galeria próxima ao pier, logo na beira-mar. É um prato fácil de encontrar por lá.

      Abraço,

      André.

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