Berna, a fascinante capital da Suíça

Já vimos neve, chalés, campos floridos, lagos, vaquinhas com sinos. Mas resta a curiosidade, como seria a capital deste país de natureza tão esplêndida? Não iremos à Zurique nem à Genebra, mas a capital Berna certamente não poderá ficar de fora do nosso roteiro. Há rumores de que vale muito a pena, então vamos lá.

Contrariando a notoriedade da pontualidade dos trens suíços, nosso trem atrasou. Mas nada que comprometesse nossa agenda, e a cabine privativa que conseguimos – um pequeno luxo – tornou a viagem bem confortável. Saindo de Interlaken, 50 minutos depois desembarcávamos na capital da Suíça.

A estação, muito moderna, fica a uma curta distância do Centro Antigo – Altstadt, nosso destino.

Berna é a cidade medieval mais bem preservada da Europa e seu Centro Antigo é Patrimônio Mundial da Unesco. Explorá-lo a pé é uma delícia, pois a maioria das ruas é restrita a pedestres e bastante plana, desnecessário qualquer outro tipo de transporte.

Iniciamos nosso roteiro pela rua principal, a Marktgasse.

A cidade foi completamente reconstruída em pedra após ser destruída por um grande incêndio em 1405. Fazendo um belo contraste com o cinza das construções, a cor vermelha está presente nas bandeiras, nos modernos bondinhos, nas poucas vans que circulam abastecendo as lojas, nos detalhes das fachadas, nas flores que adornam fontes e janelas.

Até mesmo na vitrine de algumas lojas mais “especializadas”. E a Suíça, que parecia tão certinha.

Encontramos pelas ruas umas pitadas de bom humor.

A mais surreal talvez seja o elevador nervoso dessa loja moderninha, sem porta e sem parada. Quando chegar a vez, salta pra dentro!

Muitas lojas interessantes. Mas as mais incríveis que já vimos foram essas aqui.

Instaladas em porões sob a arcada de prédios comerciais, com acesso por alçapões de madeira na rua. Lá dentro, tudo montado com muito charme, como essa pequena floricultura.

Espalhadas pelo Centro Antigo, avistamos lindas fontes renascentistas de água potável, ornadas com estátuas coloridas.

No final da Marktgasse encontramos um dos maiores ícones da cidade, o Zytglogge (ou Zeitglockenturm, como preferir), leia-se Torre do Relógio. Um grupo de pessoas se aglomera para ver o espetáculo de personagens mecânicos que acontece 4 minutos antes da hora, bastante complexo para a época em que foi construído.

Tempos amenos. Essa torre já serviu para a defesa da cidade e também como prisão para mulheres, mais especificamente para as prostitutas dos padres.

Agora seguimos pela Kramgasse, e começamos a observar com mais atenção as arcadas dos prédios, elementos arquitetônicos recorrentes na cidade.

São quase seis quilômetros delas, lotadas de estabelecimentos comerciais. Muitos deles lojas de antiguidades como esta, decorada de forma peculiar.

Uma placa no número 49 dessa rua chama nossa atenção. Trata-se da casa de um ex-morador muito ilustre: Albert Einstein. O cientista alugou um flat nesse prédio e ali começou a desenvolver a Teoria da Relatividade. A Einsten-Haus é aberta à visitação, mas passamos reto; hoje estamos num espírito mais outdoor.

Paralela à Kramgasse está a Rua Münstergasse, onde está localizada a Münsten St Vinzenz, a catedral da cidade em estilo gótico. É a maior e mais importante da Suíça. Há uma praça em frente que está bem tranquila, com apenas um grupo de escolares em plena atividade ao ar livre (ao que parece, aula de desenho).

Como toda catedral desse estilo, seus detalhes merecem um olhar mais atento.

Porta central com cena do julgamento final – os salvos de um lado, os condenados do outro

E lá estão, as bizarras gárgulas, presentes em toda catedral que se preze.

E agora uma pausa para almoço. Sem grandes pretensões gastronômicas entramos num restaurante qualquer, que parecia bastante frequentado por locais. E era. Com o menu exclusivamente em alemão e atendentes idem, só nos restou pedir dois menus nº 1 do dia apontando com o dedo e torcer para dar certo. E nem assim. Uma das garçonetes, num inglês sofrível, tentava nos explicar que só restava uma porção do menu nº 1 dizendo “one time”. Finalmente entendemos o que ela dizia e pedimos um menu nº 1 e um menu nº 2. Minutos de suspense depois, veio para a mesa a entrada, uma deliciosa sopa de lentilha. Em seguida, os pratos principais; o meu era uma espécie de polenta com batata, numa camada de molho de tomate temperado, e o do André era frango com arroz de cereais. Isso só prova que os nomes parecem estranhos, mas comida é comida em qualquer lugar. Ninguém morre por arriscar!

Na parte da tarde exploramos os arredores da Rua Gerechtigkeitsgasse.

bandeiras dos cantões suíços colorem a paisagem

As ruas vão ficando mais tranquilas – não que estivessem exatamente caóticas. Numa ruela simpática, posso registrar uma janela para a minha coleção.

E mais uma fachada interessante, entre tantas que a cidade apresenta.

Encontramos outra pequena e pacata praça, a Rathausplatz.

Em frente a esta praça fica o prédio da prefeitura, Rathaus, com uma linda fachada em estilo gótico.

E praticamente ao lado, uma igreja católica em estilo neo-gótico, St Peter und St Paul-Kirche.

Por fim resolvemos explorar um pouco além dos limites do centro. Seguimos em direção à Nydeggbrücke, uma das pontes que cruza o rio Aare.

A ponte, em arcos, é bastante alta e liga a parte antiga à parte nova da cidade. O visual dali renderia uma bela pintura, com o contraste da cor turquesa do rio com os telhados marrons da cidade.

Após cruzar a ponte, chegamos até Bärengraben, o famoso fosso dos ursos, onde é possível observar a sua rotina e alimentá-los. O urso é o símbolo de Berna e integra a bandeira da cidade; reza a lenda que o seu fundador prometeu batizá-la com o nome do primeiro animal que fosse abatido nas florestas das redondezas.

Hoje os ursos estão de casa nova, o BärenPark, um ambiente mais amplo e mais próximo ao rio.

Mais adiante e morro acima, descobrimos um parque perfeito para relaxar, o Rosengarten. Antigamente um cemitério, hoje abriga centenas de espécies de flores, inclusive 220 tipos diferentes de rosas, um restaurante e área para piquenique.

Sem dúvida, o lugar proporciona as melhores vistas da cidade. Podemos entender melhor os seus contornos.

vista da ponte Nydegg a partir do Rosengarten

vista do Centro Antigo a partir do Rosengarten

De volta ao Centro Antigo, já final de tarde, hora da pausa para um café. Como é bom estar de férias, especialmente numa cidade linda como Berna! As opções são diversas, muitos cafés interessantes… Alerta para bandeiras GLS nas portas (muito civilizado, afinal estamos na capital).

Em seguida, comprinhas de guloseimas. A Confiserie Tschirren nós já sabíamos que era tradicional, e pudemos comprovar a alta qualidade do seu chocolate (os bombons de champagne e conhaque são tão maravilhosos que demos meia volta para comprar mais para a viagem – afinal nem só de Lindt vive a Suíça). Encontramos também uma loja de alimentação com uma vitrine pra lá de caprichada e convidativa.

Funciona assim, você sai da estação e passa num lugar desses para comprar algo para o jantar. Como não podemos comprar nada fresco, optamos por um preparado de risoto de aspargos e outro de polenta com cogumelos. Adoramos comprar estes preparados nas viagens para fazer em casa, tempos depois, e reviver a gastronomia dos locais por onde passamos. E a qualidade é tanta que parece comida caseira.

Antes de ir embora esbarramos numa movimentadíssima loja de chocolates, com Toblerones à venda. Muito apropriado, considerando que o famoso chocolate nasceu por aqui mesmo.

Um retorno à infância, como eu gostava de Toblerone! A barra de 1 kg em outras épocas seria um verdadeiro sonho de consumo (isso antes de eu descobrir que os chocolates franceses tem mais cacau que os suíços e redefinir o meu paladar).

Fim de um dia delicioso em Berna. Hora de pegar o trem de volta para Interlaken. Estamos agradavelmente surpresos, a cidade superou as nossas expectativas. Prontamente a elegemos uma das mais lindas e charmosas da Europa entre as que conhecemos até então. Acolhedora, cheia de vida e surpreendentemente tranquila para uma capital. Resumindo, perfeita.

Maiores Informações:

http://www.bern.com/en/

Sobre Pati Venturini

Engenheira, blogger, chocolatière na Méli-Mélo Chocolat e co-autora do blog de gastronomia e viagens De Garfos e De Quartos.
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19 respostas para Berna, a fascinante capital da Suíça

  1. Sueli OVB disse:

    Perfeito, querida!
    Como sempre, texto encantador, que nos deixa com água na boca e vontade de fazer igual.
    Parabéns!

  2. Rebeca disse:

    Berna não estava entre as cidades européias que eu pretendia conhecer um dia, mas depois desse relato certamente passou a fazer parte do meu roteiro europeu dos sonhos.

    • Que bom Rebeca! Realmente não é uma cidade das mais badaladas para turismo, todos os roteiros passam por Genebra ou Zurique… Mas é uma cidade que vale muito a pena, uma capital com cara de cidade pequena!

      Abraço,

      Patrícia

  3. guilhermeatencio disse:

    Que cidade fantástica! Estou de queixo caído.
    Curiosidade: sabiam que na caixa do Toblerone tem o desenho de um urso?

    • Mino! Que interessante, fui procurar no Google, pois só lembrava do desenho da montanha Matterhorn… E lá está a silhueta do urso dentro do Matterhorn! Boa, hehehe!

      Abraço,

      Patrícia

  4. Lugar maravilhoso, belíssimas fotos!! Obrigada por compartilharem!!

    Andréa Andrade
    http://andreaandradebemestar.blogspot.com/

  5. Olá Patrícia,

    Parabéns pelo excelente post.
    Vc fez esse passeio em Berna a pé somente?
    Quanto tempo vc estima para fazê-lo de forma tranquila.
    Estou bolando na minha viagem uma ida de Luzern à Interlaken com um pit stop de um dia em Berna, daí a pergunta.
    Obrigado.

    • Leonardo
      Foi um delicioso passeio a pé de dia inteiro, pela parte antiga da cidade. O teu pit-stop está mais do que perfeito!
      Fico feliz em ver que o blog está sendo tão útil na organização da viagem de vocês.
      Abraço e Feliz 2014!
      Pati

  6. Joao Miranda disse:

    Olá. Excelente seu roteiro pela Suíça, parecido com o que pretendo fazer com minha esposa e filho de 5 anos.
    Você poderia detalhar as cidades e quantos dias ficou?
    um abraço

    • Oi Joao
      Que bom que gostou do roteiro, obrigada. Nós passamos uma semana na Suíça e todas as cidades que visitamos estão postadas aqui no blog.
      Abraço e boa viagem,
      Pati

  7. luis felipe disse:

    Patricia,
    Estou viajando de Lua de Mel, no próximo dia 27/04/2015. Suas informações foram de muita valia. Você pode me indicar restaurantes, que tenham um menu legal e preço acessível?
    Obrigado;
    Luís Felipe Cavalieri
    BH/MG.

  8. Larissa Melo Roquette disse:

    Ola para vcs, muito ricas as informacoes compartilhadas, muito obrigada pela contribuicao que nos dao!
    Somos um casal jovem como vcs e com filha bebê de 2 aninhos. Estamos embarcando no prox dia 20 para paris e o roteiro é o interior da França. Serao 3 semanas de carro com 4 pontos fixos: dijon-avignon-annecy-lyon.
    Enquanto em cada um deles, visitaremos as cidades vizinhas ex. De avignon iremos um dia ate Marseille.. E de Aneccy queremos visitar a Suíça, pois Geneve fica bem pertinho!
    Gostaria de ouvir conselhos, recomendacoes, dias de restaurantes e passeios, no caso especial de estarmos com criança.. se vcs se animarem a nos passar..?!? Muito obrigada!

    • Oi Larissa
      Que bom que gostou do blog, obrigada!
      Vamos ficar devendo as dicas pois não conhecemos essas cidades, tampouco sabemos como é viajar com crianças pequenas. Recomendo o blog Viajando com Pimpolhos, é excelente! Abraço e ótima viagem para vocês.
      Pati

  9. Nagiane disse:

    Muito legal seu blog…Estivemos em Berna em 2013 e estava relembrando o nome dos lugares, aí encontrei seu blog e descobri que temos o mesmo sobrenome. Abraços e parabéns.

  10. cleusa kupske disse:

    olá!
    Minha filha e eu estivemos no mês de julho na Suiça e fizemos o roteiro Zurique-Berna-Interlaken-Lucerna. Foi maravilhoso.
    Pati, você poderia por favor nos informar a marca da tua máquina fotográfica?
    Achei as fotos lindíssimas!
    bj
    cleusa

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