Cambará do Sul, a cidade dos cânions

Cambará do Sul é uma opção mais rústica na Serra Gaúcha. Quando lembro da cidade me vem à memória gente simples e hospitaleira, cavalos, comida campeira e uma grande beleza natural, onde o verde se faz presente com intensidade. Certamente essa região gaúcha reserva as melhores paisagens do estado.

Os cânions, pelos quais a cidade é conhecida, têm cerca de 130 milhões de anos de idade e 600 metros de profundidade média. São de tirar o fôlego e proporcionam um grande momento de contato com a natureza.

borda do Cânion Fortaleza

Prepare o carro e a paciência, o acesso é por estrada de chão batido. Parte integrante do Parque Nacional da Serra Geral e distante 22 km do centro da cidade, o Cânion Fortaleza é o mais imponente deles. Em dias abertos, quando a chamada “viração” (neblina muito densa) não se faz presente, caminhar pelas suas bordas é uma experiência magnífica. É possível até avistar ao longe a cidade de Torres, no litoral gaúcho.

Há também os momentos silêncio e contemplação, onde simplesmente sentamos ou deitamos próximo à borda e experimentamos uma sensação única.

Esse cânion é o meu preferido, pela sua beleza impressionante e pela maior liberdade que proporciona aos visitantes. Na chamada trilha da Cachoeira do Tigre Preto é possível até fazer uma parada para um banho gelado numa piscina natural e beber água pura de sanga. Coisa rara de fazer hoje em dia e altamente revigorante. Essencial levar kit básico (lanche, água, suco e o que mais você precisar), lá não há onde comprar.

Para uma melhor infraestrutura e trilhas de menor dificuldade, o lugar certo é o Cânion Itaimbezinho, no Parque Nacional Aparados da Serra. É o cânion mais conhecido da região e fica a 18 km da cidade.

vista do Cânion Itaimbezinho

Possui paredes um pouco mais fechadas, intensa vegetação e lindas cachoeiras.

O parque, com acesso pago, é administrado pelo Ibama e conta com estacionamento, espaço cultural, lanchonete e trilhas bem sinalizadas.

Trilhas na parte inferior dos cânions devem ser feitas com guias, sempre. O tempo pode mudar bruscamente e complicar bastante a vida dos aventureiros.

Os lajeados também tem a sua beleza. Convidam a longos passeios de cavalo, uma das atividades mais prazerosas do lugar.

Mas se cavalgar não é a sua (e realmente, cavalos podem ser bastante temperamentais), caminhadas pelas propriedades rurais podem ser bem mais relaxantes.

Cambará também é um dos lugares mais frios do estado. No inverno as temperaturas podem facilmente cair abaixo de zero. Certo dia acordamos e saímos para rabiscar no vidro congelado do carro e contemplar as poças de água congeladas.

Até um tempo atrás, as pousadas da cidade eram bastante simples, a maioria adaptada em casas residenciais. Foi em Cambará que pude viver a experiência da ausência de luz elétrica. Certa vez fui com um grupo de amigos até essa pousada à moda antiga, localizada no meio do caminho para o cânion Fortaleza. A viração escondeu completamente os cânions e tudo que nos restou foi lareira, muito vinho, comida campeira e luz de lampiões. Fez muito, muito frio, mas foi um momento divertido. Por um final de semana, pois um nível mínimo de conforto é desejável na medida em que se passam os anos…

Hoje Cambará já conta com opções mais charmosas, inclusive uma proposta ecológica de luxo, as famosas cabanas térmicas do Parador Casa da Montanha Ecovillage. Ainda não tivemos a oportunidade de nos hospedar por lá.

Um lugar que é confortável sem perder a simplicidade típica do lugar é a Estalagem da Colina, que fica logo na entrada da cidade. Basta abstrair da estrada que fica logo ali em frente. Mas tudo bem, trânsito de cidade pequena nem incomoda tanto assim.

Essa é a cabana master. Não parece, mas ela conta com todos os confortos, cama king size, calefação, banheira de hidromassagem. A decoração é simples, mas cuidadosa, com paredes coloridas, colchas florais e outros detalhes fofos.

E quando bater a fome é só procurar um bom restaurante de comida campeira. Este aqui é o Restaurante Galpão Costaneira, que já recebeu o elenco da minissérie A Casa das 7 Mulheres.

A sua atmosfera rústica e as panelas de ferro representam bem o espírito da cidade. Tem até direito a gaiteiro para animar o povo (escondidinho lá em cima!).

E também tem uma lojinha de produtos coloniais para levar aquele vinho de uva Isabel, queijo, salame e chimia para casa.

De vez em quando precisamos buscar essas raízes, esses prazeres simples. Deixar o stress da cidade grande para trás, inclusive os luxos aos quais estamos acostumados também. Nada como curtir a chegada do sol num diazinho frio e deixar a vida passar. O cãozinho ali sabe das coisas!

Maiores Informações:

http://www.cambaraonline.com.br/

http://www.estalagemdacolina.com.br/

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Sobre Pati Venturini

Engenheira, blogger, chocolatière na Méli-Mélo Chocolat e co-autora do blog de gastronomia e viagens De Garfos e De Quartos.
Esse post foi publicado em Brasil, Cambará do Sul e marcado , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Cambará do Sul, a cidade dos cânions

  1. E eu que esqueci deste blog?
    Já me redimi e assinei, além de ler os artigos já publicados.
    Ótimo texto e fotos lindas!

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