Uma visita à Concha y Toro

Num país que é um verdadeiro paraíso dos vinhos, pleno de vinícolas interessantes, visitar ao menos uma delas é programa obrigatório. E pode ser um desafio escolher caso você não esteja fazendo um tour dedicado à matéria.

Então começamos pelo começo. Pertinho de Santiago está o Vale do Maipo, casa da Cousiño-Macul e da Concha y Toro. Aí fica fácil escolher: Concha y Toro frequenta constantemente nossas casas. É uma das mais fortes marcas chilenas. Must-go.

Como bons viajantes independentes, resolvemos ir até lá por conta própria. Cerca de 1 hora de metrô até a cidadezinha de Pirque, que fica a 27 km de Santiago, menos de 10 minutos de táxi e lá estávamos nós.

Antes de entrar nos domínios da vinícola, é preciso escolher uma das opções de tour guiado para a visitação. A diferença está basicamente na quantidade de vinhos a serem degustados.

A partir daqui encontramos nosso grupo, e ele é pequeno. Sorte nossa. A visita tem início neste belo túnel verde.

Pausa para apreciar um momento “fazenda”.

Começamos com um passeio pelos arredores da casa, chamada Casona, que foi residência de verão do fundador da vinícola, Dom Melchor, e sua família.

Fontes e adornos embelezam a extensa área dos jardins. Nada como um belo dia de sol para aproveitá-los. A cidade com seus barulhos está longe… bem longe.

A casa não é aberta à visitação. Só nos resta apreciar a parte externa, que inclui essa deliciosa varanda. Um cenário de época.

Depois passa-se à visita dos vinhedos. Para fundar a vinícola, Dom Melchor importou mudas da região de Bordeaux e contratou um enólogo francês para garantir que a qualidade dos produtos fosse comparável à dos vinhos franceses, então dominantes no mercado.

Entre as mudas trazidas da França naquela época estava a Carmenère. Por mais de um século acreditou-se que aquela cepa era, na verdade, Merlot. Verdade descoberta em 1994 (ironicamente por um francês) hoje é a uva mais emblemática do Chile; só existe por lá.

Olhamos o horizonte e avistamos a Cordilheira dos Andes; aos seus pés estão as plantações, protegidas por esta barreira natural. De repente fica mais fácil entender o porquê dos vinhos chilenos serem tão bons. Esse fator, somado ao terroir e, obviamente, o expertise em seleção de mudas e manejo, é o que proporciona vinhos tão excelentes.

O próximo passo é a visita das caves. Um momento refrescante e bem-vindo. Primeiro visitamos as antigas, que abrigam histórias como a do Casillero del Diablo. Casilleros são adegas subterrâneas, e Dom Melchor guardava sua coleção de melhores vinhos numa delas. Ocorre que, para combater o sumiço cada vez mais freqüente das garrafas, ele inventou que o diabo morava ali. E assim nasceu o mundialmente conhecido vinho Casillero Del Diablo. Lenda ou jogada de marketing?

Após o momento mais turístico do passeio, uma encenação meio bobinha da história (na minha opinião totalmente dispensável), passa-se às caves modernas, com seus barris de carvalho importados.

Aqui um parágrafo para falar de um vinho premium e muito aclamado, o Almaviva. Ele foi produzido em parceria com a vinícola francesa Baron Phillippe de Rotschild, com o objetivo de ser equivalente a um vinho “Grand Cru Classe”. É considerado um dos melhores do mundo. Uma curiosidade: é o único vinho chileno a ter um vinhedo, uma bodega e uma equipe técnica exclusivos para a sua produção. As plantas utilizadas tem mais de vinte e cinco anos de idade. E tudo isso tem seu preço; para degustar uma garrafa desse néctar é preciso investir entre R$ 500 e R$ 600.

Por último, o momento mais esperado. Avisto as taças rigorosamente enfileiradas para a degustação e fico feliz. Vinho branco é a parceria perfeita para esse dia de verão!

E como lembrança deste momento, as taças são cortesia.

Após a visita estamos livres para ir ao wine-bar e prosseguir com as degustações dos vinhos mais top de linha… ou para ir às compras na loja da vinícola. É a oportunidade para adquirir vinhos de excelência como Amelia, Don Melchor, Carmín de Peumo, Terrunyo e claro, o Almaviva, a preços mais viáveis que no Brasil.

Hoje a Concha y Toro pertence a um grande grupo estrangeiro e engloba marcas como Cono Sur e Trivento, além de ter adquirido uma das maiores vinícolas da Califórnia e se tornado a segunda marca vitivinícola mais poderosa do mundo. Ainda assim, esse passeio mantém o charme, a tradição e a tranquilidade das pequenas vinícolas. Bom saber que algumas coisas ainda permanecem preservadas.

Bate-volta facinho e que complementa muito bem uma visita à Santiago.

Maiores Informações:

http://www.conchaytoro.com/

http://www.pirque.com/

Anúncios

Sobre Pati Venturini

Engenheira, blogger, chocolatière na Méli-Mélo Chocolat e co-autora do blog de gastronomia e viagens De Garfos e De Quartos.
Esse post foi publicado em Chile, Pirque e marcado , . Guardar link permanente.

2 respostas para Uma visita à Concha y Toro

  1. Daniela Vivian disse:

    Muito, muito bem escrito… Parabéns!
    Voltei no tempo e me vi visitando novamente a Concha y Toro, só que com muitos e mais interessantes detalhes.
    Amigos, este blog está demais!!
    Beijos, Dani

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s