Santiago, uma capital gastronômica de peso

Não que tenhamos conhecido tantos restaurantes assim em Santiago. Não que tenhamos ido aos restaurantes mais badalados. Mas tudo, tudo o que comemos por lá, foi simplesmente maravilhoso e inventivo. Por isso elegemos Santiago a nossa capital gastronômica na América Latina.

Bom, André tinha informações privilegiadas. Nas suas constantes viagens de negócios à capital chilena, descobriu alguns segredos (talvez não tão bem guardados assim).

Começamos com um almoço no restaurante Miguel Torres, na já citada Avenida Isidora Goyenechea. Aqui, segundo eles, ao contrário da maioria dos restaurantes, a gastronomia está a serviço do vinho.

Sim, pois este restaurante é fruto de uma parceria entre a vinícola Miguel Torres e a Sagardi, um prestigiado grupo espanhol de gastronomia, que conta com restaurantes em Barcelona, Madri e Buenos Aires. O restaurante é impecável em termos de beleza, organização e limpeza. Para os dias de verão, há uma convidativa varanda na cobertura.

Cardápio disponível na entrada, escrito à mão, no melhor estilo europeu.

Escolhemos uma mesa na janela e pedimos o menu business, o prato do dia. Devidamente harmonizado com vinho branco Chardonnay – de Miguel Torres, por supuesto.

A entrada era promissora: relleno de trucha ahumada sobre ensaladilla de cous-cous y dressing de eneldo. Truta defumada recheada sobre uma porção de cuscuz e molho leve de anis. Prato lindo e saboroso.

Como prato principal, solomillo sobre puré rústico y salsa de pimienta (filé com purê rústico e molho estilo mexicano). Era uma vez uma foto…

E como sobremesa, compacto de té verde, escamas de melon y coulis de ciruelilla. Sorvete e mousse de chá verde com finas lâminas de melão e molho de ameixa. Sabores levíssimos, enquanto assistíamos a vida executiva passar pela janela.

Miguel Torres é certamente um restaurante que não pode ser ignorado numa visita à Santiago. Cliente satisfeito!

Agora vamos ao jantar. André já tinha ido ao Puerto Fuy, por indicação dos “nativos” mais experts. E aprovado com louvor. Trata-se de uma cozinha de vanguarda, lugar badalado, localização elegante – na Avenida Nueva Costanera, em Vitacura, tudo sob o comando do aclamado chef Giancarlo Mazarelli. Pena que fomos ingênuos ao ponto de não fazer reserva. Chegamos cedo e educadamente fomos informados de que o lugar estava lotado. Mas a maître nos convidou a conhecer o novo restaurante do mesmo chef, que ficava do outro lado da avenida. E fez mais, pediu ao motorista do restaurante para nos conduzir até lá de carro. Quanta delicadeza!

O restaurante em questão era o WD – World Delicatessen. Com esse nome, confesso que a minha expectativa não era das melhores, mas comecei a me animar quando fomos colocados numa mesa ao ar livre e luz de velas. Adoramos o ambiente.

Logo em seguida o chef nos enviou seus amuse-bouche. Para quem não conhece o termo francês, um pequeno presente, fora do menu, para “divertir” a boca antes de fazer o pedido.

Encontrado somente nos melhores restaurantes. Também entre a entrada e o prato principal foram servidas pequenas porções de sorbet para neutralizar o paladar. Outro pequeno luxo.

E eis que acontece o nosso primeiro encontro com a gastronomia molecular.

Espumas. Naquele dia não, mas hoje sabemos que elas são uma evolução da mousse, suprimindo qualquer traço de lácteos, e são feitas com uso de sifão, o que lhes garante maior leveza e sabor. Legado do genial chef espanhol Ferran Adrià. Lamentamos que na nossa cidade os chefs não sejam assim, tão arrojados. Viajar é preciso para encontrar tais sabores e técnicas.

Quanto ao registro dos pratos… Uma pena que naquela viagem ainda não pensávamos em ter um blog. Somente curtimos a experiência sem grandes preocupações com fotos ou descrições de menu. Realmente uma pena… Ou motivo para voltar lá?

Mas a sobremesa jamais deixamos de registrar. Escolhemos creme brulee al Grand Marnier con sorbet de naranja. A tradicional receita francesa com sabor e perfume de laranja. Deliciosa, na medida para fechar um jantar perfeito.

Segundo André, a comida e o serviço eram idênticos ao Puerto Fuy. A mesma genialidade e sabor dos pratos, apresentação cuidadosa e atendimento excelente. Sorte minha. Antes de irmos embora, ainda passamos pela delicatessen e compramos um mimo exótico de lembrança: sal negro vulcânico do Havaí. Tipo de coisa que amamos trazer de viagens.

Hoje o World Delicatessen se chama Aitué, ainda sob o comando do mesmo chef. O formato de restaurante com delicatessen aparentemente não funcionou. Mas há que considerar o “artista” e não o “ateliê”; onde quer que ele esteja, vá! Recomendamos com certeza a comida do chef Giancarlo, seja no Puerto Fuy ou em qualquer outro lugar.

Maiores Informações:

http://www.torreschile.com/wps/portal/tch

http://www.puertofuy.cl/in/index.html

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Sobre Pati Venturini

Engenheira, blogger, chocolatière na Méli-Mélo Chocolat e co-autora do blog de gastronomia e viagens De Garfos e De Quartos.
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2 respostas para Santiago, uma capital gastronômica de peso

  1. Maria Lina disse:

    Pronto. Já coloquei De Garfos e de Quartos no meu blogroll.
    Abraços.

  2. Lina, que honra fazer parte do blogroll do Conexão Paris! Obrigada.
    Abraço,
    Patrícia

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