Recoleta, a Europa é aqui

Quando conheci a Recoleta, pensei que gostaria de estar hospedada por lá. Vejamos porquê.

Dia agradável, bom para andar a pé. Por onde começar? A Plaza Francia pode ser um bom ponto de partida, especialmente nos finais do semana, devido à feirinha de artesanato que acontece por ali. Alguns objetos valem a pena, feira é sempre bom de olhar. Mas seguimos adiante. Ainda não é a Recoleta na sua glória.

Entramos na Avenida Alvear, o endereço mais exclusivo da cidade. Ela concentra inúmeras lojas de grife, como Louis Vuitton, Hermès, Ralph Lauren, Ermenegildo Zegna, entre tantas outras, todas localizadas em belíssimas construções. Ali também está o elegante Alvear Palace Hotel, para quem não abre mão de se hospedar com requinte ou apenas tomar um bom chá da tarde, um hábito na Argentina.

Mas a Recoleta é muito mais do que compras de luxo.

Olhando sua arquitetura, não é de estranhar que seja chamada por muitos de Paris das Américas.

Plena de mansões e prédios elegantes, muitos deles em estilo francês. Um charme das antigas. Tudo isso tranforma esse bairro no pedaço mais europeu de Buenos Aires.

No final da Alvear encontramos a Embaixada da França que, aliás, foi projetada por um arquiteto francês.

Ali em frente também fica a Embaixada do Brasil.

Pegamos uma rua qualquer em direção à Calle Posadas, paralela à Alvear. Sempre gostamos de escapar das ruas principais em algum momento. Esse hábito normalmente nos reserva visões como esta.

E já estamos na Calle Posadas. O charme continua, mas um pouco mais despojado. Uma mistura deliciosa de cafés, galerias de arte, floriculturas na calçada.

Aqui nesta rua há dois endereços gastronômicos a conferir: O café La Rambla, para continuar no espírito “parisiense” do bairro, e o El San Juanino, para comer as melhores empanadas da cidade. Não fomos lá mas eles estão na nossa to-do-list, pois são amplamente recomendados por quem já foi.

Aqui mais uma opção de compras, Pátio Bullrich. O primeiro shopping da cidade, pequeno e grifado. Passamos batido, no momento não há nada melhor do que flanar à moda portenha.

E caímos novamente no coração verde do bairro, formado pelas Plazas San Martin de Tours, Intendente Torcuato de Alvear e Francia.

Quem, como eu, adora decoração, vai se divertir muito neste shopping dedicado ao segmento, o Buenos Aires Design.

Ali, muitas lojas que vão desde pisos, revestimentos e iluminação até móveis, acessórios e obras de arte. As vitrines são decoradas como editais de revistas. A parte gastronômica é interessante; restaurantes como o Hard Rock Café (a primeira filial latinoamericana), o Café Le Martinez e estes outros, ao ar livre, mais do que convidativos.

Para os adoradores de museus, há duas opções: o Museu Nacional de Belas Artes (com obras de artistas como Monet, Renoir e Goya) e o Cemitério da Recoleta. Ok, este último não é exatamente um deles, mas depois de visitá-lo você ficará com a impressão de que conheceu um verdadeiro museu a céu aberto. Pode parecer um pouco mórbido, alguns acham estranho. Mas este cemitério é um dos mais visitados do mundo e há razões para isso.

Neste local, a última morada das famílias de maior prestígio e poder de Buenos Aires, mais de 90 dos jazigos foram declarados Monumento Histórico Nacional.

Corredores estreitos, mapa é desejável (especialmente se estiver em busca de algo específico, como o túmulo de Eva Perón). Também é possível fazer visitas guiadas.

Esculturas que são verdadeiras obras de arte.

Imponentes mausoléus de mármore, que refletem o poder da burguesia de épocas passadas.

Gente ilustre. O corpo de Eva Perón somente foi trazido depois de mais de 20 anos após a sua morte. Há flores frescas sempre (identifico até um pequeno urso de pelúcia entre elas).

E, claro, anjos complementam a atmosfera do lugar (especialmente num dia nublado como esse).

Além de muitas histórias.

Liliana Crociati. Filha de um poeta italiano. Ela morreu em plena lua de mel em Innsbruck, na Áustria, soterrada pela neve em uma avalanche. No mesmo dia, a 14.000 km de distância, seu cachorro chamado Sabú morreu também. A estátua de bronze os homenageia, em frente ao jazigo em estilo gótico.

Rufina Cambaceres. Filha do escritor Eugenio Cambaceres, é conhecida com a jovem que morreu duas vezes. Vítima de ataque cardíaco, foi enterrada no dia seguinte à sua morte; tempos mais tarde, encontraram a tampa do seu caixão aberta, levantando a suspeita de que ela sofria de catalepsia e fora enterrada viva. Conta a lenda que ela acordou e, assustada por estar no cemitério, sofreu novo ataque, morrendo de verdade. A estátua em frente ao jazigo, todo em estilo art nouveau, simboliza Rufina tentando sair pela porta.

Uma particularidade. Os caixões não são enterrados, mas sim empilhados na cripta dos jazigos, então em alguns casos é possível visualizá-los. Passada a curiosidade, talvez você ache mais agradável e divertido contar os inúmeros gatos que habitam o local. Mas enfim, a morte faz parte da vida e este local é de grande paz e beleza. Certamente um passeio imperdível na Recoleta.

Saindo dali, bem em frente ao cemitério, atravessando a praça, há uma rua lotada de restaurantes, opção interessante para um almoço.

E ali na esquina, pertinho, fica a sorveteria Freddo, que faz um dos melhores sorvetes da cidade. O de doce de leite certamente é o melhor inclusive além das fronteiras. Mais um must-go do bairro.

E essas são algumas das razões pelas quais adoramos Buenos Aires. Infelizmente nossa passagem por lá foi muito rápida. Felizmente é fácil, muito fácil, voltar.

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Sobre Pati Venturini

Engenheira, blogger, chocolatière na Méli-Mélo Chocolat e co-autora do blog de gastronomia e viagens De Garfos e De Quartos.
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