O que é que Santiago do Chile tem

Com uma opção do porte e do glamour de Buenos Aires na América Latina, o que sobra para Santiago do Chile?

Muita coisa. Essa fantástica cidade pode não ter o charme europeu da sua vizinha, mas se você gosta de grandes centros urbanos, vai adorar Santiago. Imagine uma São Paulo melhorada, com ruas limpas, segurança, ótima qualidade de vida. E que tem como pano de fundo, de quebra, a Cordilheira dos Andes. Visível de praticamente qualquer ponto da cidade.

Antes de aterrisar ela já dá as boas vindas.

Nos hospedamos no Hotel Radisson Plaza, na Avenida Vitacura, em Las Condes. Esse é o centro financeiro, a área mais moderna e sofisticada da cidade. A localização é ótima, pois permite fácil acesso a qualquer ponto de interesse. O hotel também agrada, especialmente pela piscina localizada na cobertura que permite vista privilegiada do skyline da cidade contra a cordilheira.

Aqui, esculturas ao ar livre fazem companhia aos prédios comerciais da região.

 

Mas sem perder a ternura. Flagro esta linda floricultura de rua a alguns passos dali. Elas nunca me passam despercebidas, me impressiono com sua perfeição e beleza… além do capricho na organização dos vasos.

Perto dali havia um supermercado, e nos divertimos comprando quase um quilo de cerejas para comer no hotel. Sim, estamos na fonte! Também compramos, de curiosidade, uma chirimoya, fruta que rende um suco simplesmente delicioso que era a nossa alegria matutina no café do hotel.

Nesta região não há muito a explorar de forma turística, mas dá prazer caminhar por suas ruas bem cuidadas e arborizadas. Uma caminhada ao longo da Avenida Isidora Goyenechea revelará ótimos restaurantes e também algumas lojas de vinhos, como a espetacular El Mundo Del Vino. Quem aprecia a bebida se sentirá numa espécie de Disney de Baco. Uma loja muito bem decorada e recheada de opções.

Pegamos um táxi então e vamos a um dos bairros mais antigos e boêmios da cidade, o Barrio Bellavista, na região de Providencia.

É lá que fica a casa de Pablo Neruda, La Chascona, um passeio poético dentro da metrópole.

La Chascona significa “descabelada”, homenagem aos cabelos ondulados de sua amante, terceira mulher e grande amor Matilde, que viveu com ele na casa.

Encravada nos pés do Cerro San Cristóbal, o mais importante da cidade, é um lugar muito agradável de visitar. Na entrada, versos do poeta recepcionam os visitantes.

Fotos não são permitidas no interior da casa. Então somente apreciamos os diversos objetos de Neruda, incluindo seu prêmio Nobel de Literatura de 1971, quadros pintados por amigos, anotações do próprio punho e muitos objetos trazidos de viagens.

Pelo local em que está inserida, com o cerro como pano de fundo, a propriedade conta com diversos jardins.

Aqui um detalhe romântico, grade de janela com as iniciais de Pablo e Matilde.

As visitas à casa são exclusivamente guiadas. Enquanto se espera o próximo grupo, ou ao final da visita, pode-se desfrutar do café e loja charmosinhos que ficam bem na entrada do lugar.

Saímos de lá e seguimos a pé, conhecendo melhor o bairro. Caminhar é preciso, sempre. Somente assim a cidade se revela. Identificamos alguns detalhes arquitetônicos interessantes da região dos anos 20, como essas luminárias verdes trabalhadas e esse guarda-corpo enroscado com uma roseira de cobre.

 

Mais adiante descobrimos o Patio Bellavista, um local perfeito para uma pausa. Trata-se de um aglomerado de casas antigas do bairro que se tornaram cafés, restaurantes descolados de gastronomia variada e tiendas (lojinhas), com um grande espaço ao ar livre no meio. O local conta inclusive com um pequeno hotel-boutique.

Nos instalamos confortavelmente no sofazinho de um bar simpático e pedimos “un pisco sour”, drink nacional do Chile, “al tiro por favor”.

Na mesa ao lado, um grupo de santiaguenses fumantes inveterados nos faz companhia, até o momento em que somos vencidos pela nuvem de fumaça que se forma. É a nossa deixa para conferir as lojinhas e comprar aquele artesanato para a casa ou uma bijouteria em lápis-lázuli, a famosa pedra azul que só é encontrada no Chile e no Afeganistão.

A região é movimentada e perto dali ficam restaurantes conhecidos, como “Como Água para Chocolate”, de comida mexicana, que se intitula como cozinha afrodisíaca. Detalhe interessante, a decoração lembra o filme homônimo e conta até com uma mesa-cama. Recomendado pelo The Washington Post.

Não muito longe dali, está o Cerro San Cristóbal, com seus funiculaires que permitem alcançar a vista mais bonita da cidade de mais de 5 milhões de habitantes – uma das mais populosas da América Latina. Dali vemos o Rio Mapocho, que corta a cidade.

Também há teleféricos, mas estão temporariamente fechados para obras de modernização, com previsão de reabertura no final deste ano.

O cerro abriga o Parque Metropolitano, o maior parque urbano do mundo. Lá se encontram jardins (inclusive um jardim japonês), áreas de piquenique, trilhas para caminhadas, barzinhos, lojinhas, casa de cultura, zoológico e até piscinas públicas. E o lugar é lindo, um oásis dentro da cidade, apesar de bastante movimentado. Programa perfeito para um dia de verão em contato com a natureza.

No topo do cerro está o monumento da Virgen de la Inmaculada Concépcion, com 14 metros de altura.

 

O Centro da cidade fica ao lado do Bellavista. E como qualquer centro de qualquer grande cidade, é caótico. Dessa forma, melhor visitá-lo aos finais de semana.

O primeiro ponto de interesse é o Palacio de la Moneda, sede da Presidência.

Uma bela construção em estilo neoclássico italiano, que voltou à sua cor original, o branco gelo, após o fim da ditadura de Pinochet.

Anexo ao palácio está o Centro Cultural Palacio de la Moneda. Naquele dia, nos deparamos com uma interessante exposição em torno do conturbado casal mexicano Frida Kahlo e Diego Rivera.

Cerca de 300 peças, entre quadros de pintura, fotografias, roupas, objetos pré-hispânicos do acervo de Diego Rivera e outros de arte popular mexicana de coleções privadas.

A maior exposição do gênero já feita fora do México. Essa é uma das razões de gostarmos tanto de turismo urbano.

No local também há uma exposição permanente da artista Violeta Parra, folclorista, cantora e fundadora da música popular chilena. Uma lojinha de artesanatos e cafés completam o local.

A uma curta caminhada dali, pelo Paseo Ahumada, fica o Mercado Central. Se quiser fazer uma pausa para compras, uma das maiores lojas de departamentos do Chile, a Falabella, está no trajeto.

Sabem como é, mercados públicos nunca podem ser desprezados. E esse de Santiago, além da belíssima estrutura de ferro trazida da Inglaterra, conta com os frutos do mar mais exóticos que se tem notícia.

O clássico, sem dúvida é a centolla, o caranguejo gigante da Patagônia. Ao adentrar a área dos restaurantes, imediatamente aparecem vários garçons insistentes exibindo a iguaria para arrebanhar clientes.

E não é nada barato, cerca de 50.000 pesos. Mas se você quiser prová-la, uma opção é o Donde Augusto. Tivemos a oportunidade de conhecer o próprio que, figurinha fácil, fez questão de posar para a foto.

O povo chileno adora o povo brasileiro. Fale mal então dos argentinos, e terá um país aos seus pés!

Para o nosso almoço, acabamos pedindo mesmo foi machas à la parmesana e ceviche; leia-se moluscos gratinados com parmesão e peixe cru marinado no limão. Delícias igualmente típicas e muito frescas, mas sem grandes requintes gastronômicos. Os acompanhamentos são simples e lá está ela, a eterna folhinha de alface, dando um toque de “glamour” aos pratos. Vale mais pela história, pois o lugar é famoso (leia-se turístico).

Mas a minha surpresa mesmo foi na saída, quando avistei esse milho roxo. Algo que nunca havia visto antes.

Outra atração do Centro é o Cerro Santa Lucía.

Menor e menos movimentado, mas não menos importante. Foi aos seus pés que a cidade foi fundada.

Um certo charme decadente. Aqui há praças e fontes e a subida pode ser feita por escada ou elevador panorâmico.

mais uma fonte "mágica"...

...toda cidade tem a sua!

E para fechar os passeios no Centro, há um quarteirão histórico que vale a pena visitar, nem que seja apenas uma passada para fotos. É o Barrio Paris-Londres.

Vai para aonde? Paris ou Londres?

No cruzamento destas duas ruas de nomes tão conhecidos e queridos está a pitada de Europa que procuramos nas viagens. Soube da existência deste bairro através de um excelente guia de viagem da Martha Medeiros, que teve o privilégio de morar na capital chilena por 8 meses.

Claro que não poderíamos deixar de conhecê-lo. O lugar é tranquilo, com mansões dos anos 20 que hoje se tornaram albergues. Mas atenção quanto à segurança, pois apesar da atmosfera pacata, ainda estamos no Centro da cidade.

Mon Dieu! Nada impede que me encante por este pedaço da cidade, com suas ruas estreitas de pedras e lampiões da época. Esse lugar é o meu número.

Quando você se cansar dos passeios e quiser partir para as compras, conheça um dos ótimos shopping-centers da cidade. Por lá, áreas ao ar livre nestes espaços são bem comuns, o que adoro. Será porquê os santiaguenses adoram fumar?

Este aqui, o Alto Las Condes, um pouco mais afastado que os demais, é o mais sofisticado da cidade.

Esta área ao ar livre fica na cobertura. Muito agradável, pausa perfeita para qualquer hora do dia. Tem até galeria de arte com vista panorâmica.

Antes de ir embora, ainda deu tempo de conferir uma feira de artesanato que estava acontecendo na cidade. Quer um moai para colocar no jardim? Nem precisa ir à Ilha de Páscoa.

Esse foi um feriadão em Santiago. Só de escrever o post já sinto uma enorma vontade de voltar. Faltou conhecer muita coisa, considero essa apenas uma introdução à cidade. Há parques cercados incríveis, museus, bairros tranquilos para “flanar”.  Inacreditável que temos uma cidade tão primeiro-mundo na América Latina. Uma grata surpresa.

Nos próximos posts, um pouco de gastronomia e vinhos. Não poderia ficar de fora, não?

Maiores Informações:

Fundação Pablo Neruda (preço da entrada entre 2.500 e 3.500 pesos): http://www.neruda.cl/

Patio Bellavista: http://www.patiobellavista.cl/

Parque Metropolitano – Cerro San Cristóbal (preço funiculaire ida e volta 1.800 pesos): http://www.parquemet.cl/

Centro Cultural Palacio de la Moneda (preço da entrada 1.000 pesos): http://www.ccplm.cl/

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Sobre Pati Venturini

Engenheira, blogger, chocólatra e co-autora do De Garfos e De Quartos.
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3 respostas para O que é que Santiago do Chile tem

  1. Karyttus Vulpo disse:

    Parabéns ao casal pelas belíssimas fotos desta maravilhosa cidade que é Santiago.

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